SEGUE-ME?

15 de setembro de 2010

"Sempre Inverno"



Sempre Inverno
Sempre Frio,
Sempre Gélido.
Previsível Mar morto que aprisiona-me da quimera
De alcançar o Sol.

Mais um vento,
Uma brisa leve a sussurrar a solidão em meus ouvidos.
Mais uma chuva,
A molhar a tua ausência em meu rosto.
Mais uma vez,
Eu aqueço-me em meus braços,
Esquivo-me de abraços,
Desvio-me de olhares.

Sempre Inverno.
Já faz tempos.

Uma flor a desabrochar,
Primavera nos mais lindos campos,
Sempre o colorido não me alcança.

Mais um verão, quente e humano
Mas mesmo assim,
A temperatura aqui é sempre baixa.

Sempre... Sempre Inverno.

Ao menos posso tocar a neve,
Ao menos posso enxergar o cinza,
Ao menos avisto as nuvens e sinto frio.
Ao menos tenho a mim,

Embora contida de fastio,
Embora tétrica,
Ou até mesmo com um humor esquálido, lívido...


Mas ainda tenho a mim...




(Naná)



"Meu Ser Fugaz... Meu Viver...Transitório"




Quanto mais deparo-me com as pessoas...
A cada vez mais prefiro a minha própria companhia.
É inútil requerer minha confiança...
Ela partiu há muito tempo.
É inútil seguir meus passos,
Eles são incertos.
Não espere por reciprocidade,
Talvez nem sempre, eu faça jus à ela.
O melhor mesmo é evitar de alcançar quaisquer compreensão...
Costumo transgredir regras,
Quebrar certos Paradigmas,
Vestir novas roupas,
Pintar meus cabelos e minha unhas,
Viver sobre o salto alto,
Ou, talvez, sair sem rumo, descalça e sobre as pedras.
Transmutar o Horizonte.
Sumir por uns tempos.
Eu não nasci pra ser atada.
Nem para viver sistematicamente,
Tampouco nasci para o Amor.
Quando julgo que o amor é a minha cura
Julgo também estar adepta à Insanidade.
Amor é algo incolor.. insípido.... Disforme e Maluco.
Deixo-me ir com o vento,
E amoldo-me facilmente às tempestades, intempéries...
"Se algum dia, alguém quiser roubar minha solidão,
Que seja capaz de oferecer-me, realmente alguma companhia."
Mas, primeiro...



... Ouse convencer-me.



(Naná)






... [ Exausta de perseguições alheias dispensáveis] ...







14 de setembro de 2010

"Locomotiva" ...




Hoje apenas quero respirar novos ares,
Longínqua de todos os olhares,
Preciso singrar em novos mares.

 

Quero ficar sozinha em meu canto,
Esquecer de todo o encanto,
De amar, viver, sonhar.

 

Quero ficar só, comigo mesma,
Vagar pelos caminhos a esmo,
Esquecer de tudo o que há.

 

O torpor me coage,
Já não reflito a minha face,
O tédio venceu a coragem.

 

Peço que todos me esqueçam,
Talvez um dia eu reapareça,
Ou talvez para sempre eu me emudeça.

 

Minha vida perdeu o brilho,
O sentido de prosseguir,
Mas agora deixe-me ir...

 

O trem da vida fica ali,

E eu preciso logo partir...




(Naná)




13 de setembro de 2010

"Desfecho"



Sempre que escrevo algo, está intrínseco aqui dentro.
Em meu âmago.
Sendo tétrico, sendo alegre.
Misto de inconstância com convicções bruscas.
Nas entrelinhas mostrei-me, transmutei-me,
Dei a cara à tapa,
Meu coração sempre suscetível...
Longínquo de adaptar-se ao comodismo,
Sempre com novas emoções,
Aventuras Insanas.
Eu cansei de trespassar a ordem do coerente, do incerto,
Ou de voltar ou correr atrás do tempo.
O tempo não existe, nunca existiu.
Para mim nada é concreto.
Restam-me apenas espectros de amores vazios,
Um sentimento Cheio de Nada...
Decidi doar meu coração.
Eu já não quero mais sentir
Nem sorrir,
Nem chorar,
Nem amar.
Sem delongas dispensáveis.
Quero que não existam memórias,
Nem resquícios do pretérito
Tampouco esperanças tolas.
Deixo aqui meu coração,
Numa bandeja tão gélida,
Consumido por mazelas.
Já tentei formatá-lo
Nunca resultou em algum efeito
Privo-me agora desse órgão inútil
Insano, Leviano e Inconseqüente.
Dispo-me do impudico,
Dispo-me de mim mesma.
Dispo-me de todos.
Rasgo cada palavra,
E cada verso... em vão.




Eu já não mais existo...

Inútil procurar-me.





(Naná)

11 de setembro de 2010

"Réprobo"


É como se ainda fostes tu, presente em meu espaço
Seguindo os meus passos,
Enleando-me num abraço
Ausente abraço.
É como se minhas memórias não passassem
E tu, todos os dias me abandonasse,
Com o vento frio em meu corpo.
Corpo gélido,
Sentimento torto.
Quero pintar os meus dias,
Debelar essa agonia,
Apagar o que está morto.
Não convém relembrar o passado,
Um desamor já condenado,
Nunca estivemos no mesmo lado.
A noite embriaga-me de lembranças
Como um espectro de esperança
Eu afogo-me em intemperanças.
Unirei todas as cartas, versos, poesias,
Atearei fogo nesses dias,
Em que disseste que o Amor é Magia,
Mas fora apenas Utopia.
Deito-me em minha cama,
E repouso em lençóis brancos,
Talvez um dia eu redescubra o encanto,
De amar talvez,
Esquecer do pranto.
Folhas secas em meu coração,
Dissiparam a emoção,
De amar, viver, em vão...



(Naná)

10 de setembro de 2010

"Puerícia... Retalhos de Mim"



Ah como eu queria que o tempo não passasse!
Que o amor não acabasse
E que não existisse desenlace.
Hoje vivo em assombros,
Pela correria do tempo
Pela ausência de sentimento,
Pela dor da Saudade.




Ah, Se eu pudesse regressar!
Colorir os "dias cinza”
Tornar reais as fantasias
De eternizar as alegrias.
Apagaria todas as lágrimas
Distribuiria mil abraços.




Hoje perco-me na angústia
De viver sofrendo à custa
Do que hoje já não há.




Eu preciso de alento,
Algo que me diga
Que eu posso
Dar um passo
Amainar o meu cansaço,
Retomar a minha vida,
Encontrar o meu espaço.




Os meus olhos cabisbaixos
Meu sorriso ofuscado
E meu cerne já exausto.
Recordo-me de outrora,
Nos tempos de minha infância
Onde podia ter asas, ser livre,
Onde era uma criança.




Não existia tempo para amar,
Pra perdoar,
Para chorar e depois sorrir.




Lembranças que tornaram-se Retratos,
Guardados zelosamente em meu Âmago.
Onde já não há mais volta,
Onde não posso transmutar.




Retratos,




Retalhos de Mim
No tempo que esvaiu-se.




Nostalgia....



(By Naná)