SEGUE-ME?

24 de setembro de 2010

"Quarto 210"..



Hoje o dia amanheceu cinza.
Os pássaros voavam para o norte,
Deixando-me sem seus cantos matutinos,
Embora eu apenas os ouvisse em meu quarto escuro...
O Sol não apareceu mais uma vez...
Nem sei por qual motivo ainda ouso escrever.
Talvez seja o que me resta.
Apenas folhas de papel em branco,
Esperando o meu sangue a ser derramado por versos tristes.
Minha alma aturdida,
Quer dissipar tudo.
Quer me suicidar.
Sou refém do desalento que habita aqui...



Estou perdendo meus sentidos...



Talvez seja hora de partir...



Meu coração está vagaroso...
Talvez seja a amorfia.
Talvez a Saudade esteja agonizando...
Ou estou sendo acometida pelas últimas horas que se esvaem...
Amor que se escorreu pelo ralo...



Vou cerrar meus olhos,
Quero fazer-me cessar...



Deixarei meu corpo estacionado ao teu lado,
Tempo que não existiu...
Tempo que me consumiu...



(Naná)





"Linda Martini - Quarto 210"

23 de setembro de 2010

"Memórias Póstumas"



Já dizia Drummond: “A ausência é um estar em mim. E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços”...


Cartas à um Ausente...
Palavras não-ditas...
Sentimentos, apenas arquivados...
Tua ausência inflama-me o âmago.
Ainda guardo tuas cartas...
Ainda as incinero.
Um dia...
Preciso!
Julgava morto o tempo do pretérito,
Mas á tona ele vem e entorpece-me em melancolia,
Um tédio profundo de saudades...
Ausência?
Estás aqui...
Abraçada a mim...
O tempo lá fora é mais taciturno...
A tinta da caneta é mais escura
Nesta folha de papel tão lívida e vazia...
A cada vez que lhe escrevo,
Trago-te da ausência...
E renasço para a morte novamente.
Até quando?
Voe com o vento, para o Sul dos meus pensamentos.
Muito abaixo do consciente...
Tão longínquo dos olhos do meu cerne.
Preciso recuperar a sanidade...
Antes que me roube para sempre.



(Naná)


22 de setembro de 2010

"Mar Revolto"



Com o passar das horas...
Deixei-me abandonada à um sofá qualquer,
E espalhei as minhas memórias no chão da sala.
Recordei-me do tempo em que me bastava os sonhos,
E que, ao pisar no chão, descalça, não sentia o frio da realidade.
Às vezes penso que não me cabe mais pensar,
Nem sentir,
Nem mais tentar enxergar
Ou alcançar quaisquer compreensões.
O meu mundo é desconexo,
Apenas sobrevivem as contraditoriedades, que afogam num mar revolto os meus sonhos,
E me impedem de singrar num mundo que apenas é de outrora,
Não existe mais no Hoje.
Maquiei-me, pintei meu rosto,
Talvez seja para tentar ocultar o semblante exausto,
Ou talvez, fugitiva de um mundo no qual não gosto de fazer parte.
A brisa ainda me traz você,
Ainda está explícita a tua ausência aqui, comigo.
E me abraça forte, nas noites frias,
Envolta aos lençóis...
Bailo com minhas lágrimas,
Num palco ridicularizado pelo afeto ou sentimento que ainda possa existir.
Os meus anseios aturdem-me.
Eu preciso de um tempo para esquecer o teu tempo em mim.
Apenas um espectro que habita num coração vazio,
Um coração despedaçado,
Insano, inconseqüente.
Tenho aqui dentro, um Inimigo,
Que fez pacto com minha alma,
De não me deixar em paz.
E eu não sei...
Até quando serei capaz,
De ser refém de mim mesma...
Vou consertar as minhas asas,
Desatar-me das correntes,
Sair sem rumo...
Nem que seja para me afogar no mar...
Mas preciso sair daqui...




Desse lugar.




(Naná)

18 de setembro de 2010

"Tempo... Tarde".



Os dias passam sempre na mesma monotonia,
Tomados por um céu cinzento,
E um ar frio, indiferente à vida.
Da janela do meu quarto, sempre vejo refletido os momentos,
Momentos os quais, em outrora eu vivi sorrindo, encantada.
Hoje estou evadida aqui nesta prisão,
Onde tudo é incerto,
Onde o teto pode desabar a qualquer momento,
E atira facas em meu âmago.
Onde as paredes parecem mover e me comprimir...
A pressão em meu peito é a cada dia mais forte,
Posso sentir o frio da morte,
E a saudade a me sufocar.
Em meus lençóis negros de angústia eu me ancoro,
Sobre um chão sujo de sangue,
Sangue que derramei a cada dia que eu não fui devolvida,
A cada vez que eu esforcei-me em amar,
Sempre me foi tirada uma parte.
Sou doente, em estado terminal
E não encontro mais os sentidos,
Esqueci-me da razão.
Deixo-me seduzir pela escuridão da noite,
Embalo-me aos tons fúnebres nos enterros de meus sonhos...



Talvez, quando tu vieres,
Seja tarde...



E encontres apenas um corpo pálido,
Num canto qualquer.
Já sem poder abrir os olhos,
E sem poder sentir a dor de recordar de ti.
Enquanto eu estive agonizando,
Tu, certamente, estavas abraçado ao teu orgulho, movido pelo escárnio de meu “amor-imperfeito”.



Assim, quando me veres,
Pegue as minhas mãos e olhe-me pela última vez,
Sinta o cheiro do meu sangue.
Dê-me o último Beijo.
Aquele que esperei por tanto tempo em vida,
Aquele que talvez, se tivesse sentido antes,
Não teria sido tarde,
Para viver,
Nem para Amar.



(Naná)



17 de setembro de 2010

"Passagem...."


Estou aqui de passagem,
Acometida por um estado terminal...
De amar...
Não tenho o direito de abordar ninguém pelo caminho,
Tampouco tentar provar algo sobre o qual não compreendo.
Tenho a mim mesma,
Os meus passos lentos, ou rápidos, que me levam até as minhas masmorras.
As mazelas,
E alguns poucos pensamentos e sentimentos que levam-me à um sorriso ofuscado.
Não oculto-me.
Quero que vejam o que sou.
E compreendam que eu não possuo tal dom...
De prosseguir sistematicamente....
Acreditando no que eu nunca senti, e jamais farei jus...


Não nasci para o amor.


Nasci para ser Uma.


"Apenas Eu"


De mãos dadas aos meus versos vãos e fúteis...






(Naná)

"Indelével..."



Cinco horas da manhã, do dia 16 de setembro de 2010:
Após Uma noite de sono, mal-dormida, enleando sonhos incomuns... Acordo envolta aos lençóis, tão lívidos... Tomada por uma perturbação notável.
Levanto. Vou até o espelho e tento enxergar algo que faça-me ter algum sentido.
Introspectiva por alguns minutos...
Decido ligar o rádio, para ouvir alguma notícia, que talvez fomente alguma idéia, ou algo que alivie a tensão dos sonhos ...
Inexplicavelmente está a tocar a nossa música... Tão serena... Tão branda, tão afável...
Volto-me para a minha cama. De volta aos lençóis...
Sentimento memorável e tão explícito... em meu âmago.
Retrocedo ao pretérito,
E a Saudade Tétrica, mais uma vez vem visitar-me. Abraça-me forte,
E eu perco os sentidos.
E abandono-me em lágrimas.
Apenas Quimera, ter-te ausentado de mim...
Sou coagida o tempo todo por memórias indeléveis...
A saudade é um escárnio intrínseco. E sempre sorri quando me vê... Hostil, inexorável. Sentimento ardil...
Procuro a tal resiliência... Mas ela sempre está oculta...
Sobram-me, enfim... Apenas resquícios... de Nada.
Mais uma vez...
Você está aqui...
Tão perto de mim, ao meu lado.
E eu não posso tocar-te,
Nem abraçar-te,
Nem beijar-te.
Tampouco sentir-te.
Apenas um espectro a assombrar-me.
Ainda guardo os versos que outrora escrevestes para mim,
Ainda sinto o teu beijo doce em minha fronte,
Ainda vejo o teu olhar me matando,
Ao som do meu último Adeus...
Eu não posso reagir,
Nem sou forte o suficiente para te matar em mim...
Eu sou apenas assassina de mim mesma...
Assassina dos meus sonhos,
Os quais ateei fogo e jurei nunca mais tentar sonhar.
Eu apenas mato-me a cada momento que recordo-te,
Isso me consome, isso faz-me evadir de Viver.
Continuo a queimar os pensamentos,
Mas eles nunca tornam-se cinzas.
Possuem o poder de materializar-se novamente.
Espero no vazio,
Talvez,
Algum dia poder sentir-me abraçada de verdade...
Tomada pelo fastio,
Deito novamente, e decido dormir,
Ao menos, tentar.
Recurso inútil na tentativa de aplacar a dor que me aperta o peito,
E estancar as lágrimas incessantes.
Pensamentos gritantes,
Reciprocidade ausente.
Minha insanidade
Estende-me ao chão.

Eu não sou mais eu mesma.
E eu esqueci de me devolver,
Quando disse-lhe:


“Adeus”...






  (Naná)