SEGUE-ME?

17 de junho de 2012

"Olha, moço"


Olha moço, eu tenho esse meu jeito meio esquisito, que sonha alto, grita alto e chora baixo, mas eu não sei fingir o que eu guardo aqui dentro. 
Sabe, moço... eu gosto das coisas simples que as pessoas não conseguem ver, e por isso eu sempre sinto mais do que o conveniente, me desculpa (se puder). 
Eu entendo moço, que essas coisas assustam, as pessoas não estão acostumadas com a clareza dos sentimentos... eu entendo essa tua desconfiança e insegurança. 
Mas escuta, moço, apenas escuta... eu gosto de ti ! Não precisa guardar essas palavras se não quiser, mas apenas saiba nesse instante. 
Saiba que eu gosto dos teus olhos quando me olham, e do teu sorriso estrelado, e do aconchego do teu abraço, e de ficar apenas vendo as tuas fotos, lembrando dos nossos sorrisos... 
Descobri moço, que esses sentidos tomaram uma forma meio complicada de sentir, e que às vezes o coração chora...acho que é saudade! 
Veja bem, moço... eu não quero ser inconveniente com essas palavras meio tortas... mas é que eu não sei ser diferente, sou uma boba romântica mesmo! E olha, eu não vou te perturbar com essas coisas, mas por favor, não tente me impedir de sentir, tá bom? 
Eu me contento em ser feliz assim, só pensando em você... o seu jeito me encanta. 
Ah, e aquele texto sobre você, que me pediu, estou tentando escrever... mas você não vai acreditar quando ler, porque acho que você não acredita em mim, não é mesmo? 
Moço, entenda uma coisa: eu não fantasio as coisas demais, e eu não estou deixando-me enganar... na realidade você me faz sentir grande com todas essas coisas, e quase ninguém se preocupa em me deixar assim, toda boba, sorrindo à toa... entenda que certas coisas não têm explicação... 

Moço, eu sei que você vai ler e vai se calar... mas eu só quero que você saiba que eu estou aqui, sempre pensando em ti... não sei quanto tempo isso durará, mas eu gosto de saber que você apareceu... Deixa o tempo trazer o que será...  


(Naná)

03/06/12






"Urgências..."


Em uma análise nem tão sistemática assim, concluí que sou composta de urgências (isso há muito tempo)... e esse é um problema que ninguém consegue aceitar... Porque tudo que é urgente "soa" como fogo, tempestade ou qualquer coisa como desvario ou prenúncia ... e eu sou um pouco assim, impulsiva, ilógica... ... eu sou o resultado de uma aberração dos sentidos, sempre à flor da pele, mas sempre sem par...



(Naná)


02/06/12







"Memórias Póstumas"


Vou parar de escrever...
... Pensei... pensei, pensei e pensei mais umas duas dúzias de vezes... E está decidido!
Preciso parar de reafirmar esses sentimentos que ecoam aqui, no meu âmago... preciso sumir de mim, de todos os desejos que eu sei que preciso, mas que não serão mais do que querer, apenas...
Sentimentos poderiam sair do coração, pra morar somente no papel, mas não acabam depois que se exteriorizam (infelizmente!)... na realidade, exteriorizar é sinônimo de desnudar-se, deixar-se à mostra, e sabemos que quando o alheio intervém, complica!
Só não sei o que vem depois da decisão de parar, já que eu sou movida por sentidos tão contundentes... Eu não sei sentir sem escrever... Embora todas as palavras que descrevo, reflexos do que sou, sejam tão dispensáveis... Sim, é verdade! Ninguém tem nada a ver com o que sinto ou deixo de sentir, ou sobre o que penso, o que sou...
O meu desinteresse por mim mesma bateu à porta, todo ofegante, exaurido de falar até silenciar, sem que ninguém tivesse sido capaz de ouvi-lo...
Confesso que estou com medo de como será sem o desabafo desajeitado e torto, com cheiro de sentimento fresco e alma transparente, que deságuam no papel, como rios que deságuam, cada qual em seus mares...
É tanto tempo de dedicação perdido... mas não sou boa nisso, não é pra mim... mais!
Acabou-se! Sem delongas! Sem culpas! Descomedida, cara à tapa, sem armas, sem restrições aos choros e às noites sem dormir pela inquietude que passará a habitar aqui....
Vou encontrar outros modos de não sofrer tanto...
Alguns vão me inquirir sobre o "porquê" dessa decisão tão repentina... aí então, eu vou respirar beeem fundo e dizer, provavelmente com a voz rouca e o sentimento à flor da pele:
"É sempre difícil pegar na caneta pra escrever, pensando em alguém que jamais pensará em você."
Eu acredito na divisão de mundos, porque estou em outro, invisível... e por mais que eu grite aos sete ventos, ou escreva trilhões de sentimentos no papel endereçados à Ninguém, eu jamais receberei como resposta a reciprocidade que eu tanto espero.
Vou rabiscar todas as folhas, depois com o tempo crio forças para rasgá-las. Vai ser difícil à princípio, mas eu supero... Eu sempre supero!
Aprendi a ser mais forte com a dor e com as lágrimas do que com sorrisos.... Acho que os sorrisos me hipnotizam mais do que deveriam, e me tiram da realidade... já a dor, cria raiz e me deixa com os pés bem presos ao chão, pra ver o que não me cabe mais prosseguir...
Enfim... Cada um sabe das suas armaduras, ou pelo menos acham que sabem, como eu....


(Naná) 

31/05/12






Precisa-se de "acasos"...


Estou precisando de acasos! Não quero mais lembranças engarrafadas...
Prefiro as tempestades que tiram os meus pés do chão e me movem para outros lugares, me trazem novos horizontes.... Acho que eu combino com a tribulação!
Preciso sentir falta de ar, sentir as pernas bambas e o coração saindo pela boca. Preciso de emoções novas, lugares novos, cheiros que ficam, abraços que colam, beijos que queimam... tipo queimaduras de terceiro grau!
Preciso de sorrisos que se voltem para mim, de palavras que quebrem a minha insegurança, e silêncios que me apaixonem. Eu quero ter asas, soltas, livres, multicoloridas, só pra voar pra beem longe de toda essa monotonia.
Estou cansada de lacunas... de solilóquios... de esperar à toa por todos os cantos, esquinas e ruas, só pra ver o teu olhar passar diante dos meus olhos, sem sequer ter me percebido.
Estou exausta de gritos emudecidos, de palavras que não fogem ao papel... Estou triste por sempre sentir demasiadamente, e afigurar-me anônima, ou por sonhar sozinha quando encosto a cabeça no meu travesseiro, toda noite, pensando em uma incógnita.
Me acomodei a sentir frio, indiferença, solidão... Me habituei à tantas coisas, na verdade... sentimentos sem pé e nem cabeça, expectativas furadas, que ainda insisti em guardá-las, embrulhadas na caixa de presente que recebi, outrora.
Complicada essa história de desapego, mas é algo análogo ao recomeço. Acho que eu preciso ser um pouco menos de mim mesma, na verdade muito muito menos. A verdade verdadeira mesmo, é que: Eu preciso que precisem de mim...



 (Naná) 

 30/05/2012






Cá veio a inspiração...


Cá veio a inspiração, toda ousada e maluca, e sem pé nem cabeça... sem licença, e me coagindo à inspirar, transcrever, transcender a compreensão...
Ah, esse pendor pela "filosofia da vida", transmutou-se em vezo. Pensamentos vão e vêm feito corcéis desgarrados, arautos do âmago, antinomias que consomem os ditames; acometem a acuidade, arrebatam as expectativas de cura perante as perquirições viciosas.
Os pensamentos são exímios na arte da hermeticidade, auscultam e trazem à tona o alheio. Nunca fui alguém moldada pela concisão, e isso sempre me foi um grave problema. Minhas acepções tortuosas e disformes sempre ocasionaram deslizes de reciprocidade; acho que ainda tenho muito trabalho à frente ao decodificar-me.
Meu universo por diversos tempos afigurou-se (e por muitas vezes ainda afigura-se) errático, paralógico... é essa acatalepsia dos sentidos que furta-me o sono, coloca asas nos meus dedos e interrogações no cerne; mas em contrapartida é esse afã perene que me extasia, me move, me preenche de certo modo, mesmo com uma dose de insipidez, outra de letargia, e diversas outras que me embalam nesse trem sem destino identificado. Embora conversar com as folhas de papel em branco transpondo muitas vezes a ausência de sentidos, aparente ser solilóquio, ou até mesmo uma missão inexequível, esse automatismo é análogo ao lenitivo da minha sobrevivência. As pessoas riem da minha loucura, e prenunciam meu endeusamento, mas são poucos os que não perdem o equilíbrio ou não trepidam quando trata-se de "ich".
Talvez eu contenha um espírito difuso, e a genealogia da moral não me caiba. Sou ascética nata à dúvida, ao que intriga e tira-me do chão. Sou movida pela insegurança, na verdade sou uma artilharia inteira prestes à explodir o empirismo.
Há contrastes por todos os meus "ângulos", angústias prontas a escalarem o poço do desconhecido, alegrias presas na garganta, medos que riem de mim na corda-bamba que é viver. Talvez ainda tudo isso seja indício da síndrome da singularidade.
Preciso debelar toda essa esquipatia antes que seja tarde, e eu entregue-me legitimamente à evasão.



 (Naná)  

 29/05/12



É engraçado...


Engraçado como as pessoas me vêem nas ruas com cara de que pensam: "Nossa, como ela mudou!". É, certas coisas são explícitas. Sim, eu mudei muito. Cresci, apanhei da vida, e senti o gosto de me tornar mulher, com todas as coisas dentro: amor, raiva, amargura, frustração, medo, insegurança, ingenuidade, uma dose de causticidade, insanidade, felicidade e tudo mais... o tempo não me deixou imune de sentir em demasia, mas não me tirou o gosto da leitura e da escrita desde pequena. Acho que desde que eu me entendo por gente. Eu mudei, mudei para melhor, para pior. Cresci mas também me diminuí em algumas vezes... inevitável e óbvio. Ciclo natural. Sabe, raramente me bateram na porta perguntando se eu precisava de algum tipo de ajuda. Acho que na realidade sempre tive resistência em pedir, e fui aprendendo a subir os degraus da vida, com tantos passos trôpegos, e em algumas vezes fugidia à razão que me motivava a prosseguir dentre tantos tombos. Engraçado também é fazer uma "releitura" da minha vida. Sempre fui esse ser esquipático, sem graça, mas recheada por uma inquietude que não cessou até hoje... Problemas com auto-estima eu nem me arrisco a dizer, porque isso também está explícito. Mas ao menos assumo esse problema com a auto-aceitação, e ainda não morri por isso. Ah, a vida não tem sido fácil ! Creio que desde quando criei essa fixação pela essência das coisas, acho que fora lá pelos meus 9 ou 10 anos. Desde então as coisas se tornaram mais complexas a ponto de fazer meus dedos trabalharem muito escrevendo... Cadernos, perdi a conta! Nem eram diários, mas sim meus livros... do meu universo impenetrável, intangível. E o grau de pensar foi se desenvolvendo, mas ainda não me foi o bastante para meu desabafo. Acho que ainda tenho que pedalar muito pra chegar no topo, suar muito a camisa pra ter alguma conclusão de qual "bicho" mora aqui dentro. Se é o bicho da ousadia, impudica e propriamente dita louca, ou se é o da timidez que ainda me prende nas masmorras psíquicas... Missão inexequível? Eu diria instigante. É, acho que o problema das pessoas comigo é a minha hermeticidade, sim, eu acabo as afastando.... outro dia me disseram: "Tenho medo de você Najla", e eu fiquei martelando isso, tentando mais uma vez me decodificar... Às vezes eu peço à Deus: "Por favor meu Pai, me torna uma pessoa normal", e ploft! Nada acontece! hehe! Meus ex- namorados sempre sofreram com isso, espírito arredio, indomável, diziam eles. E me achavam egoísta e mandona. Eu, claro, me defendia. Acho que o que sinto é sagrado, mesmo que eu mesma não compreenda bem o que sinto. É como se fosse uma missão em um labirinto inextricável, e eu não posso me abandonar, caso contrário não serei mais eu mesma... Sim, eu viajo na maionese.. hehe! Estou escrevendo isso, mas sorrindo pela peraltice e tolice do desabafo torto, desinteressante e dispensável. Mas com essas e outras descobri que ser livre não dói, e se incomoda, as pessoas que tratem de sair do caminho, porque não quero me privar de dizer... eu não sou uma voz emudecida, eu prefiro gritar pra que saibam quem sou. Claro que, neste caso, nem tudo está explícito.... hehe! Mas eu gosto de aventuras, e de coisas novas... mesmo me apavorando com o novo eu enfrento, mesmo me corroendo com lágrimas, ou morrendo de tanto rir, eu venço... e vou vencer todas as vezes que eu quiser e precisar vencer... E talvez eu machuque, talvez eu me machuque, não sou nenhuma santa! O importante é que saibam que assumo os riscos, e embora a minha ingenuidade seja aparente, eu não sou tanto assim... eu aprendi a ser mulher, com salto alto, batom vermelho, sangue quente e cara à tapa. Se alguém quiser brincar comigo pode vir, mas cuidado com o meu fel doce. Se alguém quiser me amar, saiba que eu vou me derreter feito manteiga e vou sim, deixar transparecer por inteira a minha franqueza. Eu sinto muito, mas sinto demais, quero demais, amo demais, falo demais, grito demais, escrevo demais! Sou tudo à enésima potência. Para que mascarar as coisas, se Deus as vê como elas realmente são? Eu sou partidária à minha essência, e as pessoas com suas ideias e sujidades que se danem! Sim, isso incomoda, e muito! E eu cansei de brinquedos que quebram, estou construindo meu próprio castelo, bem no ápice da minha alma. E não vou deixar que sentimentos indignos tentem derrubar o meu sonho de me sentir uma pessoa melhor mais capaz de ser feliz. Minhas regras serão cada vez mais claras, e todo cuidado é pouco! É eu mudei! Que seja bem-vinda a mudança de cada dia, mesmo com as suas pedras, deslizes... o bom de cair é voltar mais forte, e se eu não voltar, vou ter certeza que cumpri o meu dever em ser o que eu achava que era certo ser. E... ... Ufa!



(Naná)

27/05/12