SEGUE-ME?

10 de dezembro de 2013

Andam dizendo que é Amor.


Muitas pessoas têm visto a minha mudança. Sim é um milagre, afinal ninguém nunca repara em mim. Disseram que é o tal amor que andou escrevendo no meu rosto, desenhando na minha voz. Disseram que até os meus passos estão diferentes, o meu sorriso está maior, e os meus textos são a minha assinatura que retrata isso. 
Quando você chega perto de mim eu saio de órbita, sinto-me tremer toda e meus duzentos e seis ossos do corpo parecem que vão me desmontar. Quando você me fala eu silencio. Tenho raiva de mim por não conseguir expressar o que sinto, dizendo tudo, enquanto você me desmancha. Eu não sei como falar, minha boca dá um nó, e eu fico toda embolada. Tenho vontade de gritar, mas a única coisa que sai é o sussurro e a vontade de abraçar e nunca mais largar. 
Eu sempre pergunto: "Como foi o seu dia?", pergunto se está tudo bem, e tudo o que sempre quero é saber que você se importa em me responder, até as minhas perguntas mais idiotas e saber o quanto me preocupo contigo. 
Você sabe me ler. Sabe ler o que eu escrevo, então é a mesma coisa, porque eu sou as minhas palavras, e as palavras são o meu "eu". Sabe ler também o meu silêncio. Se importa comigo, se adentra aqui, e essa metafísica me bagunça. 
Sempre lhe escrevo essas cartas, e essas mal traçadas linhas às vezes até soam piegas, mas você deve assumir a sua culpa, porque resolveu existir e aparecer bem na minha frente, na janela dos meus olhos, enquanto eu ficava debruçada nela vendo a minha vida tão sem graça, me acenando e ironicamente me sorrindo sem eu sorrir, enquanto ela partia. Me assustei com a proporção do encontro. Pode parecer infantil e ridículo, mas passei a crer em mágica desde aquela noite, na ponte, e o nosso silêncio preencheu tudo aqui dentro. 
Você me vem de mansinho com esses olhos tão profundos que chega até me doer, e com as tuas mãos cheias de paz quando me toca. E os lábios mais doces que me desperta o lado bom de existir, enquanto a sua barba esbarra no meu rosto e eu penso: "O que eu fiz pra merecer tudo isso?" Complexo de inferioridade é pior do que qualquer outra droga, mas você sempre dá um jeito de me gostar como eu sou, feia, toda tímida e atrapalhada, afinal eu não sei fingir essas coisas. Eu não tenho "classe", nem status, nem sou fissurada em cosméticos, malhação ou roupa de marca, sou apenas uma garota boba que se encanta com olhares, toques e palavras, esteja maltrapilho, suado, mas seja profundo, como eu. Sou apenas uma mulher que pensa ser forte, mas não sabe amar direito sem "gritar". 
Lembrei que outro dia você veio me ver e não queria me abraçar, alegando que estava suado, tinha saído do trabalho, mas tudo o que eu mais queria era sentir aquele abraço seu e sentir o seu cheiro, acusando que estou bem viva e que o seu abraço e olhares me excitam e me gostam, e você me abraçou e me beijou. Eu desmontei. Sempre desmonto, só de te ver. 
Às vezes eu sou meio criança, às vezes eu sou meio imatura; às vezes eu sou mulher, e às vezes sou vulcão. A verdade é que eu sou tudo com você, você me desarma. Querer ser com você é o que eu quero. E eu quero que você seja tudo comigo. 
Descobri que tenho pânico de perder. E quando penso isso, eu olho no espelho e choro como uma garotinha, por medo de ser como eu sou, toda insegura, toda boba. Tem tanta mulher por aí e eu me pergunto sempre: "Por quê eu?" e eu nunca sei a resposta. Me custa aprender a me enxergar como me dizem que eu sou. 
Dia desses eu juro que tentei esquecer. Mas vi que matar esse sentimento também pode ser fatal pra mim, e só nessa tentativa frustrada, o meu estômago resolveu me atacar com a sua dor de medo do desamor. 
Me desculpa, eu estou toda atrapalhada aqui, tentando justificar tudo o que sinto por você, mas não consigo. Estou falando feito doida com medo de ter que algum dia silenciar a sua voz na minha mente, as palavras estão tropeçando nos nós da minha garganta, e é como se meu cérebro desaprendesse qualquer idioma, e eu fico aqui, apagando e tornando a escrever, gesticulando vírgulas que exigem a tua presença um pouco mais. 
São quase 3 da manhã e eu estou aqui, agarrada à tua blusa e ao teu cheiro, e à tudo o que vivemos, tentando fundamentar esses sentidos tresloucados. 
Meus amigos me disseram que é amor a minha "doença", dois deles são psicólogos, um deles é médico. Minha mãe também me disse. 
Poderia ser apenas uma tosse ou uma virose, mas andam dizendo que é amor. Eu não sei, só sei que eu não sei mais ser sem você. 


(Naná) 
10/12/13




Nós


Nós dois 
À Sós. 
Sóis, 
Não "nós", 
Mas Laços. 

Espaços 
Com(passos) 
Com a leveza dos 
A(braços). 


Nós dois 
A(mar) 
Singrar 
Correr 
Voar 
Luar. 

Nós dois, 
Exclamações (!!!) 
Pés que se descobrem 
Nos lençóis, 
Ternura no Travesseiro 
Amor no cheiro. 

Nós, páginas. 
Eu, você, caneta 
O tempo, as folhas 
em branco. 

Eu, você, partitura 
Os olhos, poesia, 
O tempo, melodia. 
Nós, uma canção, 
Poesia que perdura. 

Eu, você, 
Você e eu. 
Nós, à só(i)s. 
Nós, a(mar). 


(Naná) 
09/12/13






"O problema dela..."


O problema dela, é que ela é um mar que "não dá pé". 
A sua razão descompassada nunca fora rasa. 
O problema dela é que ela é toda "asa". 
Não tem pudor em ser o que é. 

Faz o "cálculo do mundo" pelo sentir 
Ama e se joga, 
Não teme se despir. 
Sinceridade sempre foi a sua única "droga". 

O problema dela sempre foi os passos tresloucados, 
O coração alvoroçado 
Os braços tão abertos 
A ponto de abraçar tanto o certo e o incerto. 

O problema dela nunca foi a ausência de afeto, 
Tampouco o transbordamento do ego, 
Mas o silêncio que se faz eco, 
O segredo que torna-se sempre desperto. 

O problema dela é que ela não sabe silenciar 
Esquece que é pequena 
E ama sem medir o que é amar, 
E vive à escrever poemas. 


(Naná) 
09/12/13


6 de dezembro de 2013

"A imortalidade nas pessoas"


O que a gente ama na verdade, é a imortalidade nas pessoas.
"Nas" pessoas, não "das" pessoas. 
A imortalidade da reciprocidade dos sentimentos que as pessoas contém, a imortalidade de afeto, a imortalidade da cumplicidade. 
Mas somos seres mortais, fisicamente e também "não fisicamente". 
Somos seres "mutantes". Transmutamo-nos devido às circunstâncias, devido ao tempo, devido à necessidade de mudança, intrínseca e relevante, para que os ciclos se cumpram. 
E ainda assim o que amamos e esperamos é a imortalidade nas pessoas. A gente sempre espera que as pessoas não mudem, que os sentimentos não morram, porque o homem tem medo da mudança, tem medo de tudo que é ligado à "morte". O homem espera que a sua lógica seja exata, e teme errar, teme perder. Não queremos lidar com as perdas, com as nossas misérias e limitações humanas. 
O que a gente ama, na verdade é a alma das pessoas. O corpo é efêmero, a alma não. A marca que a alma nos deixa é mais visível do que as marcas que o corpo carrega. 
A alma é o vínculo que une ou separa as pessoas. 
A alma é o que tememos perder. 
A alma a(L)ma. 


(Naná) 
06/12/13



"O relógio e a bússola"


E com o arrastar das horas, os meus sentimentos são também inevitáveis na sua chegada, como o tempo. Mas não passam como ele, só crescem. Na medida que os ponteiros dão-se adeus mas se encontram e se atravessam novamente, a passagem das horas torna-se ponte, e o relógio torna-se bússola. 
Recostada no travesseiro, me atrevo à sorrir ao pensar na eternidade da memória. 
Me acostumei em ter mais duas mãos, quando as nossas se cruzam. Me habituei com os passos, que caminham ao meu lado, me apaixonei por dois olhos que falam sempre o que me surpreende. 
É transcendente essa sensação que despe a minha causticidade, e me traz a leveza da minha própria paz oculta. Ao mesmo tempo me perturba esse estímulo de pertencimento, pois a importância alheia nunca me foi habitual. 
Quando paro e penso em você, me rendo à dúvida do encantamento. O seu mistério me incita à querer singrar na aventura do meu próprio medo. 
Quando vejo você, vejo poesia. Vejo a delicadeza no trato, a moral no ato, a certeza do fato. Certeza essa que me faz duvidar da minha descrença no amor. 
Obrigada por compôr versos na minha vida, com a sua existência. 


(Naná) 
05/12/13



3 de dezembro de 2013

Acerca do "Novo"


Entre idas e vindas, encontros e despedidas é que tecemos a nossa vida. E muitas vezes nos deparamos com o inimaginável no caminho, e fazemos dele um impulso para quebrar paradigmas, outrora impensados. É bom poder crer na mudança. O "novo" é a forma mais óbvia de despertar a nossa consciência para os próximos passos.


(Naná)
30/11/13


"Sobre a Motivação..."


Duas das "bases motivacionais" para o ser humano prosseguir com seus objetivos: reconhecimento e reciprocidade. Sim, todos nós queremos ser reconhecidos pelo que somos, pelo que fazemos, pelo que gostamos de fazer, pelas nossas ideias, pelas nossas opiniões, pelas nossas realizações, pelos nossos desejos. Todos nós, sem exceção. 
Não acredito nessa história de não criar expectativas. Não existe vida sem expectativa, sem esperança, sem perspectiva. Todo aquele que vive tem algum objetivo, seja qual for ele. Nossos passos são norteados pela concretização de nossos sonhos, de nossos anseios e desejos. 
Alguém aqui vive sem ter um porquê? Acredito que não. Tudo na vida requer um sentido, tudo na vida requer um horizonte, e a bússola está dentro de nós. Nós somos os únicos capacitados à direcioná-la, pois somos os portadores do nossos pontos de vista, e senhores de nossas escolhas. Não adianta tentar esquivar-se dos desejos/anseios, com a desculpa de que expectativas não foram criadas, me desculpem, mas acho isso impossível. É mais fácil (não o viável) isentar-se de assumir que as coisas não deram certo (de acordo com o que você esperava) dizendo que não esperava por resultados. 
Resultados, pois bem. O que remete essa palavra? Resultado é uma consequência das suas escolhas, um produto do seu planejamento, um efeito do seu ponto de vista. Ele pode ser positivo ou negativo, depende da sua própria avaliação ou da avaliação alheia; ele varia de acordo com os propósitos, de acordo com os contextos. O resultado faz parte do processo da expectativa. Mas resultado se constrói com o verbo "esperançar" e não com o verbo "esperar". Quem apenas espera não tem resultados . Deixa eu tentar explicar: quem espera não interage, limita-se à inercia. Quem cultiva o verbo esperançar abraça a causa, planeja, cria, vibra, participa. Será que dá pra perceber a diferença? Claro que saber esperar também é uma virtude, é sinônimo de paciência, e também faz parte do processo. Mas esperar nunca pode ser empregado no sentido de acomodar-se, de deixar que o "destino" mostre os caminhos. Não! Eu não acredito em destino. Vejo o destino como uma desculpa esfarrapada para se isentar da disposição e das ações. 
Certo, mas aí você me pergunta: e a reciprocidade que eu disse no início, onde fica? Bem, nós funcionamos como a engrenagem de uma máquina. É preciso ter sintonia nos movimentos para que não hajam problemas mecânicos. A nossa linguagem, por exemplo, depende da reciprocidade. Kant dizia que a reciprocidade é a capacidade intelectual onde se fazem compreensíveis as relações. Uma relação só é possível quando, primeiramente a linguagem é recíproca, a interação é recíproca. Mas reciprocidade, na minha opinião não é sempre possuir as mesmas ideias, ou pontos de vista, mas é justamente a capacidade de completar-se. Um casal que se ama vive a reciprocidade, mas não significa que pensam igual em tudo, mas sabem lidar com as diferenças. E é assim que o mundo funciona: saber conviver com as diferenças. 
Vou unir os termos: Primeiro: você vive, possui um objetivo ou um sonho, então você cria expectativa, faz as suas escolhas, interage, tem paciência mas não se acomoda, você quer resultados positivos, e quer reciprocidade, com isso alcança reconhecimento. Parece uma fórmula simples, mas sabemos que nunca é. Sempre temos alguma "pedra no caminho" que nos trava: seja ela o medo, a insegurança, a dúvida, a demasiada auto-crítica, seja ela o mundo que nos circunda. 
Somos seres que muitas vezes criamos limites das nossas expectativas com medo do que o outro vai pensar dos nossos resultados. A reciprocidade também é complexa, porque pode-se criar uma dependência equivocada do outro. Mas, na minha humilde opinião, uma vida não se constrói acertando sempre. Isso é alienação, utopia. É nas nossas expectativas que nos doamos, é nos erros que crescemos, e muitas vezes é na falta de reciprocidade e de reconhecimento que aprendemos a olhar mais para dentro, não por egoísmo, mas por necessidade. Buscamos aprender mais com o outro, antes mesmo de sabermos o que queremos. Criamos expectativas no outro, e muitas vezes esse outro não espera nada de nós, não nos reconhece, e não é recíproco. A resposta: olhar para dentro. Foco, ação. 
Termino com a seguinte frase em latim: "Agere, non loqui", que significa "Agir, não falar". 

Esse texto vale principalmente pra mim, me via nele enquanto escrevia. 
Escrever também é uma forma de reflexão, mas a ação é que norteia os resultados! 
Que possamos agir diferentemente, se quisermos resultados novos! 


(Naná)
28/11/13



Pensei...


À princípio eu pensei que esse gostar fosse chuva passageira, que chega sorrateira, e deixa o arco-íris no final. Mas o tempo foi passando e me descobri mergulhadora, nesse mar cuja profundeza não me assusta, mas me dá sede de singrar rumo ao teu coração! 
O que é uma vida sem amor? Uma ponte insegura para a travessia, uma canção sem melodia, uma noite sem luar. Uma vida sem amor é o ecoar em vão das horas, é a solidão amarga de não saber caminhar. Uma vida sem amor é como um livro em branco lacrado, esperando a salvação desabrochar... 
Obrigada por acrescentar vida aos meus dias! 


(Naná)
26/11/13



"Ruas do Pensamento"


Hoje enquanto passeava pelas ruas do pensamento, procurando algo que já temia encontrar, tropecei na vontade de voar, em sonhar acordada. 
Tropecei na vontade de sentir-me amada, de sentir-me alguém, simplesmente... mas pensei que tudo não passava de um tropeção que afetou a dor que perambula cá comigo, e voltei a caminhar, segurando a indiferença nas mãos, e o peso dos olhos querendo desaguar. 
Segui forte, olhando para o alto, onde facas caíam sobre o meu corpo exausto de tanto tropeçar e voltar à realidade. Recompus-me nessa viagem onde os braços são ímpares na vontade de abraço, onde os ombros são estátuas que apenas observam o caos empurrando a alma com a barriga. 
Hoje enquanto eu perambulava nas ruas, tropecei várias vezes, em momentos que nunca existiram, em capítulos que nunca saíram da mente para a página vivida, onde os lábios morrem secos à beira de um oásis não visto. 
Os meus tropeços talvez sejam um defeito, algum resquício oculto da contrariedade da descrença. Hoje eu debrucei na janela, contei estrelas no céu pra disfarçar o torpor. Tentei olhar para fora com medo de me olhar no espelho. 
Hoje choveu dentro de mim... Choveu rosas despetaladas, cartas rasgadas, sentimentos me acenaram com a bagagem dos sorrisos, indo embora. 
A noite mais escura é também a mais gélida, quando te vais e me deixas aqui, com a dor a me embalar o riso desditoso. E me diz assim, que sou fria na minha melancolia, e que a minha expectativa se finda debruçada sobre o que não sei. 
E os meus tropeços, taciturnos, me recobrem o detrito emotivo, mas desmentem a minha inercia. 
O pássaro púrpura que habitava no meu quarto desde quando nos conhecemos insistiu em sair voando sem qualquer sinal de que retornaria. Saiu ligeiro da cartola de fantasias que eu me afigurava. 
Hoje quando deitei na cama tive a sensação de que o coração parou por alguns segundos, quando a ficha caiu nos meus lençóis e o manchou com a nódoa da tristeza. 
Foi assim que aprendi a tropeçar, sem querer. 
No espelho eu guardo o meu próprio retrato, lenda de alguém que se perdeu no mérito da anodinia quando se coloca os pés no chão. 

(Naná)
25/11/13


"Nós, artistas de amar"


Eu não sei quem atropelou quem, nessa história: 
Se foi você quem atropelou as minhas convicções, ou se fui eu quem te atropelou com a minha atrapalhação. Nesses encontros malucos a gente sempre se confunde, faz parte do encontro "despropositado". 
Faz parte também a dúvida atrair o desejo de tentar descobrir os "porquês", mesmo sabendo que a descoberta não chegará à uma conclusão exata, pois para a abstração do encontro não há respostas, mas pode alimentar a possibilidade de reciprocidade. 
Nessa vida os encontros são tantos, mas são raros aqueles que se descaracterizam de acasos pra se vestirem de propósitos. 
São raros aqueles em que a atrapalhação do momento vira encanto. 
São raros aqueles que você pensa em trombar mais uma vez, e outra, e outras muitas, várias. 
A vida é mesmo a "arte do encontro". 
Então concluí: nós dois somos artistas! 


(Naná) 
22/11/13


"Quero.."


Eu não quero lembranças "engarrafadas", 
Quero a leveza de poder singrar nas memórias. 
Quero o que é livre, o que é leve. 
Quero que as memórias sejam sóis, faróis e luar. 
Quero as asas de pensar pra voar 
Quero que a poesia do mar me carregue, 
Com destemor e amor. 

(Naná) 
22/11/13



"Diário de uma Notívaga"


21 de Novembro de 2013 

"Boa noite, prezado amigo! 
Eis-me aqui em mais um episódio da minha vida: Insone. 
Hoje o dia foi complicado, muitas coisas a fazer, mas o sono me acometeu; confesso, ele é meu "amigo" diurno, mas me custo à fugir dele por conta de intervenções do mundo normal e alheio ao meu metabolismo. Como você sabe isso me ocasiona uma oscilação de humor totalmente inversa, comparando-se aos meus pensamentos que são iluminados pelo luar tão inspirador. 
Gostaria de pedir algum conselho, caso houvesse um, para privar-me dessa frustração em ser inconvencional e não sofrer dessa incompreensão corriqueira que me torna desesperançosa e tétrica. A noite é a minha melhor amiga, acho justo admitir, tenho uma certa antipatia pelo dia. Bom, não tenho preconceito, mas é que desde que me conheço por gente sou assim, ele nunca me fez nada de mal, apenas não consigo me habituar com gosto às suas regras. 
Não quero que você pense que sou uma desregrada no meu todo, apenas não sou como gostariam que eu fosse, não por maldade, mas é uma questão superior ao meu querer, isso advém da minha essência. Assim como um peixe não voa, eu também não sou tão boa em dar asas à minha imaginação debaixo de uma claridade que me ofusca. 
Como já te disse diversas vezes, já fui rotulada de vampira, coruja, morcega e até assombração... sim, eu às vezes levanto e ando pela casa, e já assustei pessoas. 
Bom, e pra quem realmente me conhece, vale lembrar a pergunta clássica: 'Você não dorme?" E a minha resposta, com o sorriso meio "amarelo": "Eu tento"... mas no fundo durmo à contragosto, primeiro porque acho que 8 horas de sono tão recomendadas não me fazem bem, não pelo menos à noite, ao contrário do dia, onde são muito bem aproveitadas; segundo porque dormir é chato, é o que diz a minha hiperatividade. Outro dia um amigo meu me disse: "Najla, seu dia deveria ter 48 horas", eu ri e assenti com a cabeça. Aliás, ri da minha própria "desgraça". Não é legal ser alvo de chacota quando se dorme mal, minha cara não fica tão boa, na verdade nunca foi, haha... mas quando se dorme mal o humor também complica a minha vida. Bom, Sr. Diário, pra falar a verdade eu nem sei porque estou a tagarelar as minhas irrelevâncias, é que sou um rio meio desgovernado que deságua de qualquer jeito nos mares das palavras, e se eu não escrevo é como ficar presa e transbordar. Isso é ruim. Já ouvi dizerem que mentes pensantes sobrevivem da noite e que envelhecem logo, são mais chatas e exigentes e também são mais solitárias. Confesso que ainda não cheguei á nenhuma conclusão sobre mim. 
Ultimamente me perdi da órbita, devo estar vagando em algum contexto sobrenatural que eu não me acho, sim, nunca me achei. Acho que sempre fui meio perdida... sim, metade mesmo. Metade de muito sono e metade de pouco sono. 
Devo estar endoidecendo a escrever essas frivolidades.... 
São 04:18 a.m. e o sono sequer assoviou de longe pra dizer: estou chegando! Não sei se isso é bom ou ruim, nem sei sobre mais nada. Aliás, sei sim: sou uma atrapalhada! Hunf! 
Eu deito na cama e não consigo dormir, e se eu não escrevo qualquer "asneira" que seja fico angustiada... talvez eu devesse deitar e engolir as palavras. Te pouparia de ler essas sandices... e também me pouparia de achar ridícula, porque sempre escrevo e depois me acho uma tremenda idiota que não sabe tecer os textos. E pensar que meu sonho, desde criança sempre foi ser escritora.... olha só o que me tornei: nada. 
Tá, tá, não vou começar com a ladainha tosca... é melhor mesmo eu ir deitar. 
Depois te conto o próximo episódio que está por vir. 
Boa noite, e obrigada por me ler sem me rotular doida." 


(Naná)
21/11/13



"Sobre 'Não Criar Expectativas'"


Uma das frases que mais tenho ouvido e lido por aqui: "Não criar expectativas". 
Parei para pensar sobre isso, pois de certo modo essa frase sempre me incomoda... e, não sei se consegui chegar à um conceito tão sensato, mas tentei ser um pouco lógica de acordo com a realidade comum à nós, "seres providos de razão e emoção". 
Bom... expectativa é uma palavra advinda do vocabulário francês "expectative", que pode significar esperança, probabilidade, espera, possibilidade, perspectiva, etc.... 
Penso eu, que um dos maiores equívocos do ser humano é tentar camuflar a sua necessidade de ser "expectador" e tornar-se apenas um mero "espectador" sustentado com seu orgulho e um suposto auto-controle. Será mesmo que conseguimos viver sem criar expectativas? 
Substituindo o termo por outro similar: Há a possibilidade de existir vida onde não há esperança? Será que nós, quando dizemos: "Eu não crio expectativas", no fundo não estamos cultivando o verbo esperançar, mas não o assumimos como tal por medo/receio do porvir? 
Somos inseguros com o que virá, é fato. É mais fácil tentar burlar o nosso anseio, do que admitir um possível "fracasso" futuro. É bem mais cômodo dizer: "Eu disse que não iria dar certo", "eu não acreditava nisso mesmo", do que assumir as coisas que realmente acreditamos, independente das circunstâncias ou dos resultados da sua "crença". 
Temos medo do fracasso, temos medo de nos sentirmos menores pelas nossas escolhas erradas. Erradas? Bom, vou abrir um parênteses: (certo ou errado são conceitos singulares, cada um é portador das suas próprias verdades e acepções, portanto, o que é certo/errado/verdadeiro para uma pessoa pode não ser para outra, e vice-versa)... 
Uma das formas mais comuns de enxergarmos o nossos "erros" é pelo "fracasso", ou pelas escolhas que "não deram certo"... mas será mesmo que os nossos erros são sempre erros mesmo, ou é apenas o nosso ponto de vista? Ou é um conflito da nossa expectativa? Se for um conflito, é sinal que temos expectativa, é sinal de que SIM, temos esperança de algo dar certo, que temos perspectivas, que enxergamos possibilidades... 
O ser humano tem uma forma louca de tentar controlar os seus desejos pelas máscaras. Não digo que isso seja um defeito, todos nós somos portadores de insegurança, embora a dosagem seja diferente para cada um. Como diz uma velha história: "O homem possui dois lobos dentro de si, e vence o qual ele alimentar mais"... isso vale para qualquer sentimento que somos portadores, o que mais alimentarmos, é o que gerará "frutos". 
Se não tivemos expectativas também não temos objetivos. Ou alguém tem um objetivo sem criar expectativa? Será que existe uma "linha reta" que nos priva de criarmos expectativa e chegarmos direto ao "ponto final"? Será que esse "desapego às expectativas" disseminado por aí, e que a cada dia atrai mais "seguidores", "adeptos", não é uma fuga desconcertada do "eu"? Alguém me responda, por favor, se alguém simplesmente vive por que quer, sem ter algum desejo, seja ele qual for... 
Talvez essa minha forma "analítica" de pensar sobre isso seja ainda vaga, mas não é uma convicção cega, apenas um ponto de vista assimilado pelo meu raciocínio, ainda leigo, ainda atraído por mais questões, por mais outros pontos de vistas para construir minhas ideias. 
Se alguém se dispôr à ler isto, por favor, contribua com os seus pensamentos! 


(Naná) 
21/11/2013




"Ensaiei as palavras..."


Ensaiei as palavras, dancei com elas, me perdi com elas, tropecei nos versos, e na minha confusão de desaguar no papel, sorri com elas. 
As palavras se ocultam na indizibilidade dos sentidos, na minha tentativa de descrevê-las. 
Moço, você é todo mar, e eu me misturei em meio às tuas ondas. 
De repente eu saí da janela de ver estrelas e fui singrar no céu, com você... Parece que te conheço há séculos. 
Me perdi das regras, dos manuais, da minha suposta convicção de que eu não mais me surpreenderia. 
O tempo correu, mas eu vivi muito, mais do que poderia ter imaginado. 
Não hesitei em arriscar, não hesitei em não resistir. 
Realmente existia uma ponte pra cruzar o nosso caminho. 
Por quantas curvas ainda vou me perder enquanto passeio pelo teu corpo? 
Não resisto aos teus olhos claros por entre o contraste do teu cabelo escuro - e você sabe disso. 
E eu te olho e você ri, tentando me decifrar. 
Gosto das tuas mãos quentes e leves que sabem bem onde pousar, gosto da barba quando dança pelo meu corpo. 
E eu gosto da tua dança, eu gosto do teu ritmo. 
Eu gosto de você, rapaz. 
Gosto do jeito que me olha, gosto do jeito que me fala. 
Gosto quando você pega o seu violão e me faz viajar com a sua voz... 
O que eu não gosto em você? Não gosto de você ter demorado tanto a aparecer! 
Sou grata por esse "acaso" que hoje faz aniversário. 
Grata pela extensão do teu sorriso, que quando eu fecho os olhos, vejo. 
Você só me traz coisas boas. 
E mesmo que ninguém tenha fé no amor, e mesmo que as pessoas nos achem loucos, que essa nossa loucura seja exemplo aos que nos chamam de caretas, aos que temem dar uma chance à si mesmos. 
Que quando estivermos com as mãos entrelaçadas, caminhando por aí, as pessoas entendam que as coisas simples são as mais lindas de serem vividas, e que o amor não é uma utopia... o amor é uma chance de permitir-se ser com o outro e o outro permitir-se ser em você, com você. 
Que o nosso romantismo "careta" e "fora de moda" nos faça diferentes de toda a descrença que as pessoas vivem. 
O que prova que estou certa? É que alguém que te devolve à superfície e acredita em você, só pode ser mesmo um caso sério, um caso profundo, um caso de parar e agradecer à Deus pela sua existência. 
Eu te adoro tanto! Obrigada por tudo! 


(Naná) 
18/11/13








"Caminho, só...


É sempre difícil quando todos duvidam de você, da sua capacidade. 
Vêem os seus sonhos como banais, as suas conquistas como supérfluas, as suas decisões como uma contramão de passos... 
Resta-me sempre o foco no meu objetivo...
... caminho sozinha, mas com uma fé que ninguém pode enxergar.


(Naná)
17/11/13



"Bússola"


Eu encontrei a bússola que me guia, 
dei nome à ela: 
"teus olhos"!


(Naná)
12/11/13





"Ousadia é..."


A consciência me atropela feito um caminhão desgovernado. 
Ousadia é quem não se permite ser atropelado por ela.

(Naná)
11/11/13




"Não sei... "


Eu não sei saber ser 
sem você.


(Naná)
11/11/13



"Faz de conta..."


Faz de conta que é verão, 
faz de conta que é dezembro, 
faz de conta que é férias, 
faz de conta que estou feliz.


(Naná)
11/11/13



2 de dezembro de 2013

"Tu"


A sua mudez me faz gritar por dentro. 
A sua euforia me traz paz.


(Naná)
11/11/13


"Muda"


Sou tagarela com as mãos; 
com a boca, muda.


(Naná)
11/11/13



"Re(a)mar"


As lágrimas servem de mar, 
as mãos são para remar. 
O coração, 
para re-amar.


(Naná)
11/11/13




"Corpo Minado"


Minha mente é um campo minado que ainda tenho medo de percorrer. 
O meu corpo é o alvo exato de me perder.


(Naná)
11/11/13




Confusão...


Os meus olhos querem ser pés, 
minhas mãos querem ser olhos, 
minha boca quer ser ouvido, 
minhas pernas querem ser asas, 
e meu coração é o mais insensato de todos: 
quer amor.

(Naná)
11/11/13



Vazio...


Como se interroga o vazio? 
Qual pergunta uso para inquirir as minhas lacunas?

(Naná)
11/11/13



"Passos..."


Que a brandura trespasse a causticidade, 
que os passos não se acovardem, mesmo que os olhos trovejem...

(Naná)
11/11/13


"Seja..."


Seja calor humano, mesmo que você se "queime".

(Naná)
11/11/13



Inverno...


Ao amor pertencem todas as estações. 
Ao desamor, somente o inverno.

(Naná)
11/11/13




Estou...


Estou pensando em você... pensando em como não pensar em você.

(Naná)
11/11/13



Decálogos...


Diálogo sobre decálogos: o receio de transmutar-se em solilóquio.


(Naná)
11/11/13



"Qual o sabor da dor?'


"Qual o sabor da dor?" Me veio essa pergunta hoje... 
Alguns dizem que ela tem um sabor de veneno, de amargura, mas nunca ouvi dizerem que ela é doce e que gosta de agradar. 
Já ouvi dizerem que ela aumenta o conhecimento, que nos faz crescer e até mesmo contraditoriamente faz progredir. 
Então me perguntei qual o peso da dor... às vezes ela tem mãos pesarosas, por outras servem como uma espécie de "anestésico" necessário do caos. 
Já ouvi dizerem que ela faz prostrar, que às vezes ela grita ou sussurra, chega sorrateira e arrasa. 
A dor é como uma navalha, tem um olhar macilento e os pés ágeis. 
A dor é uma ponte que exige uma certa dose de equilíbrio para poder atravessá-la. 
A dor desafia o ego e faz guerra às convicções. 
A dor tem a cor da desilusão, a cor pálida da dúvida e do medo. 
A dor é um regresso, é um excesso de alma. 
A dor não tem regras e não marca horário. 
A dor não poupa, é raíz. 
A dor é mesmo uma incógnita. 
Alguns insistem em tentar esquivar-se dela, outros preferem "dar a cara à tapa". 
A dor é uma miséria humana que todo mundo teme carregar. 
O que posso dizer da dor, por mim, é que me acostumei com ela. Ela me torna mais humana, mais frágil também é verdade, mas a dor é minha nudez encarnada, me despe da ocultação interior. 
A minha dor é um elo, e uma linha tênue entre o coração e a consciência. 
Não sou acomodada com a dor, mas acho um bem/mal necessário. 
E embora as pessoas façam mais alusão à felicidade do que à dor, eu acredito que ela nos revela mais do que a alegria. 
Ninguém combate a alegria, só se combate a dor, é ela que alimenta as nossas forças, mesmo que a sensação seja de sermos fracos. 
O que eu não sei é lidar com a dor alheia. Pesa mais do que a minha dor. 
Eu nunca sei lidar com a dor do outro. 
Não sei se devo falar ou calar. 
A dor é uma coisa tão íntima e imprevisível que o fato de ela ser tão singular me faz silenciar diante do outro. A única certeza que posso ter, perante tantas inquirições e perquirições, é que enquanto a sentirmos dor, também podemos sentir a vida. 

Sim, estou com dor hoje, por isso "desaguei". 


(Naná) 
11/11/2013





"Letargia"


Pior do que ser areia movediça, é ser um poço sem fundo. 
Nisso sou especialista. 
Meu presente por isso: um acentuado aumento da minha gastrite, 
e mais um bloco de concreto pra compor a anodinia e a letargia redundante.

(Naná)
11/11/13




"Alguém me disse..."


Alguém me disse que eu preciso mudar. 
Alguém sempre me diz isso. 
Alguém sempre me fala o que devo ser e/ou fazer, 
Alguém sempre pergunta como estou, sem entender a própria pergunta. 
Muitos modos tornaram-se hábito. 
Muitos "Bom dia", "Boa tarde", "Boa noite", tornaram-se nada mais do que uma regra de etiqueta, uma obrigação. 
Muitas perguntas tornaram-se julgamento e imposição, e não percepção. 
Muita coisa virou automática. 
Muitos passos não fazem caminhos, são apenas pegadas de outros. 
Muitos acreditam na palavra destino. 
Muitos se esquivam do novo. 
Inventaram a dose de culpa, a dose alcoólica, a dose de desapego, a dose do super-ego, inventaram a mídia, inventaram a rotina. 
Mas ao invés de inventarem a humildade como "moda", criaram a hipocrisia. 
Não inventaram espelhos, inventaram máscaras. 
Inventaram liberdades errôneas, liberdade sem asas, liberdades escravas. 
Inventaram uma coragem falsa. 
Alguém me disse que estou errada. 
Alguém me disse que eu sou careta. 
Alguém me disse que não posso ser eu. 
Então eu disse que a vida é breve demais para tentar me igualar aos outros. 
Breve demais para perder tempo sendo quem não sou. 
O mundo é grande demais, e eu, ínfima demais para querer abraçá-lo. 
Mas sou grande no abraço que posso dar, na sinceridade que posso ser, no carinho que posso doar, nos meus erros para poder aprender. 
Muitos "alguém" passam pelas nossas vidas, diariamente. 
Que você não se esconda dos seus próprios princípios para agradar, mas que seja consciente dos seus atos. Não torne a sua vida uma programação barata que o mundo manipula. 
Cuidado com a mira dos olhos, e os passos dos pés, e o que as suas mãos e o seu coração seguram. Cuidado com pessoas que te menosprezam, cuidado com o poço da perfeição. 
Mas acima de tudo, cuidado com os seus pensamentos, eles são mais poderosos do que os próprios atos, é dos pensamentos que nascem todas as outras coisas. 
Seja simples, e seja você. 

(Naná) 
08/11/2013


"Believe"


Lá vai mais uma das minhas considerações, para muitos, frívola ou dispensável; no entanto gosto de expôr algumas das minhas reflexões, sem expectativas de que isso altere algo, apenas deixo fluir as palavras para quem quiser ler... 

A vida e as fases transitórias (sim, redundância proposital). 
A efemeridade das coisas, confesso, é um alimento difícil de "mastigar e engolir", mas são alimentos necessários para o sustento de algo mais concreto no porvir. Quem nunca quis regressar ao pretérito e modificar as coisas, os atos, os pensamentos, as visões, as oportunidades para que o Hoje seja melhor??? Hipocrisia negar tal fato. E embora alterar a órbita das coisas que não voltam seja algo inexequível, o Hoje é a oportunidade que temos para mudar essa visão acerca do que se foi e não volta mais. O hoje é a dádiva que nos foi concedida para aprender com tudo o que for possível, inclusive com os erros, com as dúvidas e com o tempo que é irreversível. Vejo o pretérito como pontes que me trouxeram até aqui. Não importa de que modo cheguei, isso não dá pra ser alterado... mas o que importa é como vou seguir daqui pra frente. Conversando com uma pessoa muito especial ontem, ela me lançou esse pensamento, embora tão simples, mas tão precioso, que passa por desapercebido em nossos dias e que a falta dessa reflexão causa tremendos transtornos, e que deveríamos segui-la, ou ao menos tentar: "Esquecer o passado, colher o que ficou de bem, viver o presente e respeitar o futuro". Da vida, nada se leva... nem o tempo, nem a efemeridade dele, são fatores impalpáveis, são ventos necessários, mas que se vão... da vida deve-se plantar e colher o que é alimento para prosseguir: o amor, o respeito, a reflexão, a dedicação, o afeto ... Somos seres ínfimos de passagem e nada sabemos sobre o que será, nada é eterno, mas o mínimo que devemos fazer é respeitar o tempo das coisas, e para isso a única exigência é: Ser Paciente. Quem é paciente supera todas as coisas... a paciência é o equilíbrio que geralmente sacia a nossa sede. 
O mundo, tresloucado com os seus valores, frenético e de mal com raíz do problema faz-nos complicar os olhos com a pressa exacerbada. O mundo não tem paciência, o mundo não respeita o tempo. 

Benditos sejam aqueles que respiram, diante do caos. 
Benditos sejam as almas que pensam, mesmo diante da opressão. 

(Naná) 
03/11/2013





"Serenata"


Quando você pega o violão, rouba toda a minha atenção, e é como se você me dedilhasse os póros... 
Meu corpo são as linhas que as tuas mãos harmonizam. 
Meu pensamento é o acorde que me sintoniza em ti. 
Os teus olhos nos meus olhos, a melodia mais doce que me toca. 
Como negar a voz da reciprocidade que paira nas notas dos sentidos? 


(Naná) 
29/10/1013



"Pertencimento..."


O meu melhor humor sempre pertenceu à noite. Não sei "ser" de dia, não gosto de sol, prefiro a Lua. 
Eu sou às avessas do que convém ser, e não raramente denominam isso de anomalia... 
Não nasci, definitivamente, para ser exemplo, sou toda bagunçada por dentro, mas é na minha bagunça que eu me sinto em casa, mesmo que ninguém queira vir me visitar. 

(Naná)
26/10/13


"Medo"


Acho que na realidade me assustei demais com você. Tudo em você soa profundo, e é exatamente a profundidade que eu procurava. 
Na verdade nunca tive medo de profundidade até te encontrar.... reciprocidade na profundidade dá medo, sentimento "que não dá pé", ou você mergulha, ou você se afoga. 
Tenho medo do que você pode me fazer sentir, tenho medo dessa sua mania de me fazer me conhecer.... tenho medo de pessoas que se importam comigo, medo dos olhares que me encaram, das mãos que seguram as minhas, das palavras certas nas horas certas... é um choque ver surgir tanta coisa boa aqui dentro que você me ajudou a plantar em tão pouco tempo. É muita alegria para quem havia desistido de crer. 
Tenho medo de você, tenho medo de perder o trem novamente, acenar e deixar ele ir, tenho medo de ter medo.... 

... na verdade tenho medo de te perder, por ter medo encarar eu mesma. 


(Naná) 
26/10/13


Sei...


Sei que eu não consegui chegar muito longe, ainda estou aquém do merecimento... mas alguma escolha bendita me fez trilhar o caminho bendito que me trouxe você. Um caminho que eu não esperava que existisse, um caminho que me abriu o peito, quando estava decidida à trancá-lo e jogar a chave fora, com o descrédito a perdurar por dentro. 
Cheguei ao ponto de encarar o romantismo como piegas, mas olha eu aqui, toda boba ao pensar em ti. Eu rio dos espelhos, eu rio da vida por ela ter me dado a oportunidade de te encontrar. Eu me sinto mais digna por ter me livrado das mazelas de um coração, outrora desesperançoso. Me sinto mais leve por reaprender a acreditar nas pessoas. Me sinto mais pura pela tentativa de me aceitar como sou e saber que alguém crê em mim, que alguém enxerga toda essa profundidade tresloucada que porto, cá comigo, na bagagem. 
É só uma sementinha ainda, mas confesso, é a semente mais linda que eu plantei, mais feliz que estou cultivando, mesmo diante dessas intempéries inevitáveis que me acomentem. 
Você tem sido a causa dos meus sorrisos, e o meu presente de cada dia! Obrigada por ser, e por me permitir ser! 


(Naná) 
25/10/13


"Com amor, Eu!"


Considero impossível, meu caro, descrever o quanto é difícil tolerar a tua ausência e o constante desejo de estar contigo. Há tempos eu cultivava a ilusão de dormir abraçada à solidão, mas hoje durmo abraçada às nossas memórias, tão vivas e tão palpáveis. Quem dera eu, pudesse estar contigo nesse momento, mas eis-me aqui a tentar descrever a emoção que me transborda, feito uma chuva que rega com afeição os sentimentos que tu mesmo plantastes, com as próprias mãos. Eis-me aqui sentada em frente ao papel em branco que, como uma voz, incita-me à desaguar nas linhas, os sentimentos tão visíveis, tão sutis, tão transcendentes... 
Alcançaste a profundidade inesperada por mim.... 
Esta é mais uma dentre as cartas que te envio... 
Ah, se eu pudesse mandar com ela juntamente o meu corpo! Tenho por ti tanta estima, que quando fico diante de ti, confesso, fico vidrada no teu olhar, com a ânsia de tentar interpretar sobre o que se passa nessas duas luzes que me fitam, nesses dois faróis que me queimam, nesses olhos que me dizem tanto! Tentei, eu juro, esquivar-me de tal atração, mas as tuas mãos se alongaram dentro do meu cerne, suas mãos me isentaram da minha reação. 
O que dizer daquela ponte que nos uniu? Dava a vista para o rio, enquanto nos abraçávamos sem dizer nada, mas sentir tanto! As nossas mãos se reconheceram no encaixe dos sentidos, os olhares, quando se olharam ainda tímidos, foram a coisa mais pura que já me atingiu. Um filme me passa na mente todos os dias para reforçar a razão ainda desconhecida, da tamanha reciprocidade que nos une. Cada detalhe contém a pureza da entrega, cada palavra soa como um verso. 
Não sei a linguagem que devo usar para agradecer-te por tão imenso êxtase que incita-me. Só quero que saibas, querido, que tu tem sido a estrela que me guia nessas noites mal-dormidas, onde meus olhos cabisbaixos têm encontrado uma razão pura a que se dedicar. E que essa pureza faz com que as outras pessoas notem um brilho novo em mim, brilho este, que simboliza tu, aqui comigo. Obrigada por me embriagar de sorrisos! E que a nossa canção se eternize! 


(Naná) 
22/10/2013



"Verde"


Eu fecho os olhos e o que enxergo no meu pensamento? Verde! 
Dentro do meu coração também contrasta a cor Verde... 
Deito e me levanto, e penso na cor Verde. 
E então me perguntam "Por quê Verde?" 
E eis que respondo: 
"Porque Verde é a cor da Porta que entrei... 
Verde é a cor da Porta dos Teus Olhos!"


(Naná)
21/10/13


"Olhos"


O que dizer daqueles olhos, tão certos e tão penetrantes.... daqueles olhos que a gente tromba pelo caminho e nunca mais se esquece... 
O que dizer daquelas cores... dos olhares que proferem palavras, desatam os nós, causam uma balbúrdia silenciosa, fazem trepidar o torpor. 
O que dizer.... daquele olhar que me leva pra outra órbita, me traz outra estação, preenche de algum modo o vazio da descrença... 
O que fazer com esses olhos, que não saem daqui, vivem a me abocanhar em sonhos, vivem à me roubar a pele, e refletem no meu olhar. 
Meus olhares já não são mais meus... os teus olhares os roubaram de mim. 


(Naná) 
17/10/13


"A Ponte"


Eu, sendo "tagarela com as mãos" gosto de escrever sobre diversas coisas... sendo sensatas, coerentes, lógicas.... ou não. E embora haja ou não aceitação dos meus "excertos", acho que a expressão é uma forma de permissão, de dignidade própria. Acho digno permitir-se ser. 
Alguém me disse sem saber ou desejar, que eu deveria escrever algo essa noite. E dizeres nem sempre são explícitos, às vezes você percebe as entrelinhas do que os gestos te incitam... E eu decidi escrever, portando a maior dignidade que já pude sentir. 

"Era uma noite qualquer, onde eu tentava me avistar em um espelho qualquer. Caminhava com passos trôpegos, portava uma verdade ilícita no sentir. As mãos sempre inquietas, o semblante sempre tenso, e as pernas desorientadas pelo caos da introspecção, que não trespassava uma fuga irrefletida do "eu". A introspecção era também um guia que ainda tentava desvencilhar-se do horizonte vendado, que continham os paradigmas. Mas ao longo do caminho, acabei descobrindo uma ponte, e na ponte, eu parei... lá embaixo tinha um rio no qual eu pude ver refletida a minha nudez. 
Talvez os novos ares me remetessem à outros sentidos, mais eloquentes, pensei... ou talvez eu tivesse naufragado novamente na ilusão de poder me alcançar. Na verdade só queria sair para caminhar e esquecer um pouco da minha notável confusão. 
Foi então que duas mãos, revestidas de mistério, dirigiram-se à mim, despropositadamente... acho que elas notaram a desorientação dos meus olhos, mesmo com a minha cabeça prostrada, numa tentativa de refletir sobre o tempo. Essas mãos, tão cálidas, trouxeram-me da superfície, revelando algo o qual eu desconhecia... essas mãos, tão leves, me devolveram a sensação do meu pertencimento, da minha capacidade de seguir. Essas mãos tinham também olhos. Olhos mudos, da cor verde que contém seiva, da cor das coisas que surpreendem. Olhos que eu não sei explicar. Olhos que roubam para devolver. Por um momento, eu parei no tempo e me vi sorrir pelo desconhecido. Surpreendi-me pela ausência do medo da entrega. Não era cegueira, não era prenúncia, era o inegável me dando asas. Era um sintoma doce de quem consegue a percepção de um encaixe fora de órbita... um alento para o cerne. 
Eu tropecei quando olhei para aqueles olhos, o meu corpo trepidou inteiro, mas a pulsação estrangulante, de repente cessou. Aquelas mãos, aqueles olhos, mal sabiam sobre tudo o que poderiam fazer. 
Quando cheguei em casa, naquela noite, eu compus uns versos para o desconhecido. Não sabia nada sobre ele, mas agora, eu sabia muito mais sobre mim... 
Existem pessoas que nos devolvem. Pessoas que brotam sorrisos em nosso semblante sem sequer cogitar. Pessoas, que na sua ausência, deixam o perfume estampado no nosso cerne... 

Depois daquela noite, o estranho me pertenceu, de algum modo. Sei que ele pode sentir a permissão da minha reciprocidade, sei que ele dorme agora, enquanto eu escrevo esses linhas tortas, mas com o coração "aprumado". 
Que em noites como essa, quentes e tão harmônicas, eu permita-me bailar de mãos dadas ao contentamento, pois a razão tem os olhos mais belos que eu já pude enxergar, e as mãos mais suaves, que me acompanham o ritmo da dança." 


(Naná) 
14/10/13




III


- Acha mesmo que sou alguém confiável? 
- Sim, claro. Mas porquê a pergunta? 
- Porque dizem que meu mistério é um tipo de mistério confuso e esquisito. 
- Mas todos os mistérios são assim. 
- Claro, mas alguns mistérios as pessoas tentam desvendar, o que não é o meu caso. 
- Ahn... mas você gostaria que isso acontecesse? 
- Na realidade não sei. É bom ser "alvo" de uma "resposta", ou de uma "procura", mas não sei lidar muito bem com isso, nunca sei. 
- Talvez porquê tenha medo. 
- Mas na prática, medo apenas incita mistérios. 
- Bom, não sei. 
- Eu sou um caso complicado, "sem-pé-nem-cabeça". Mas sou boa com lacunas. 
- Lacunas? 
- Sim, acho que todo mundo tem, sendo consciente ou inconsciente disso. 
- Me explique. 
- Bem, todos nós temos anseios particulares, sempre buscamos coisas, aspiramos ser preenchidos, mas a plenitude não existe. Possuímos espaços sagrados. 
- Espaços sagrados? Que maluquice é essa agora? 
- Oras, é uma maluquice sensata. Pare e pense: você com certeza tem algo em si que ninguém sabe, é óbvio. E tudo o que portamos em nós, habita em espaços... sim, como os espaços físicos.... Logo, esses espaços, são de certo modo, intocáveis. Seria hipocrisia dizer que a nossa vida é um "livro aberto". Por mais "exibicionismo" que haja, muitas singularidades são imperceptíveis. 
- Aiaiai! O que dizer sobre as suas filosofias? 
 - Bom, nunca espero que digam nada, tampouco concordem. Só quero o meu espaço, mesmo invisível. Todo mundo têm direito à censura, mas também tem direito de "aturar" a desimportância desta. 
- Acho que matei a sua "charada"! Ou, pelo menos, parte dela... 
- À que se refere? 
- Bom, você é um tipo complexo de gente. E as pessoas têm medo de se aproximar de pessoas complexas. - Isso faz de mim, uma complexidade vã? 
- Não, necessariamente. Acho que não devo generalizar o contexto. 
- Tem louco pra tudo não é? 
- Haha! Mas existem loucuras e loucuras. Loucuras que valem a pena, loucuras inviáveis. 
- E qual o meu tipo de loucura? 
- O que raros vêem. 
- Então a maioria é cega? Hahah! (brincadeira!) 
- Talvez. 
- Mas e você, me vê? 
- Acho que sim. O que você acha? 
- Não acho, achismo não é o meu forte. Apenas vejo o que vejo. 
- E o que você vê? 
- Vejo que você não é superficial. 
- E isso é bom? 
- Claro, sempre é. 
- Mas e você, me vê? 
- Claro, na verdade se não fosse possível nos enxergar, esse "diálogo" não seria possível, aliás, sempre é difícil dialogar comigo... sou um tipo meio "intragável", gosto de detalhar os pormenores. 
- É verdade. Você ainda continua sendo um mistério. Nunca sei sobre o que você vai dizer, apenas espero você "divagar"... 
- Bom, pelo menos você "espera". Mas eu, eu não cultivo o verbo esperar, prefiro o verbo "esperançar". 
- Hum, está certo. Você sempre tem cartas na manga. 
- Não, vêem minha sinceridade exacerbada como um truque errôneo, mas não sou composta de truques! Não confunda lacunas com truques, haha! 
- Não estou confundindo isso, você me confunde em tudo na verdade! 
- (Risos!) 
- Você é uma maluca que eu gosto! 
- Obrigada! 
- Bom, preciso ir, assim como eu vim. 
- Não vai conseguir. 
- Por quê? 
- Você será outro quando for. 
- Ãhn? Lá vem... 
- Sempre deixamos um pouco de nós, e levamos um pouco do outro conosco, é inegável. De qualquer modo, obrigada pela sua companhia, acho que ela vai permanecer aqui comigo, afinal sua companhia me enxergou. 
- Não sou como os outros. 
- Sei que não. Por isso você me enxergou! Beijos, boa noite!


(Naná)
13/10/13