SEGUE-ME?

2 de setembro de 2013

Quem quer ficar, simplesmente fica, não me dou o trabalho de pedir, tampouco inquirir sobre os "porquês". Quem não quer, não me espere dizer tchau e nem ficar olhando pra trás, já se foi o tempo que eu tentava colocar "nomes" nas idas e vindas alheias, nomes como culpa e arrependimento... 
E que ninguém queira me seguir, talvez eu não seja um exemplo conveniente; mas se quiser ficar perto, pode esperar por reciprocidade. É simples, nós que temos mania de complicar. 
Não chamo isso de desapego, desse tipo superficial que pregam por aí, mas sim, caminhar para frente e deixar que o tempo cumpra o seu papel, assim como tudo na vida tem um propósito, mesmo que desconhecido. 
Foi assim que aprendi a me aceitar como sou, com o grau da minha imperfeição, mas com os meus princípios inteiros. Não é endeusamento, é saber discernir o que vale ou não a pena. 
E nós sabemos, é inegável esse 'senso', embora muitas vezes tentamos nadar contra a corrente das nossas convicções. 

(Naná)
14/08/2013



Ela..


Ela não era do tipo "gata", do tipo "doméstica". 
Não suportava a concepção das pessoas de que mulher nasceu para a submissão, que nasceu para servir, para agradar. 
Desde bem cedo optou pela companhia dos livros, e automaticamente apertou a tecla que sempre incomodou a muitos: a do senso crítico e do detalhismo. Preferia a "sujeira" da escrita, a corrosão do sentidos nas entrelinhas. 
Via a vida alheia, mas não via originalidade; olhava para a sua vida e enxergava liberdade. Um tipo de liberdade torta, é verdade, uma liberdade solitária e fora de moda. 
Acordava tarde, perdia-se nas horas, se olhava no espelho e sorria por ser dona de si mesma, mesmo que o "si mesma" não fosse nada... nada importante. Vestia as roupas que queria, usava salto-alto quando saía, mas se "descalçava" e desnudava quando voltava pra casa. Vivia mudando o playlist, odiava monotonia, e embora por fora fosse silêncio, por dentro ela era gritaria. 
Gostava do excêntrico, ignorava os esgares, afogava-os nos mares distantes da importância. Caminhava com as mãos firmes, os pés fixos, os olhos frios, causava um medo estranho de proximidade nas pessoas, talvez pela sua auto-afirmação, categórica e prática. 
Nenhum olhar de verdade conseguiu decifrar sequer uma parcela das suas entranhas. Ninguém sequer chegou perto. Diziam que ela tinha muralhas dentro de si e que ela precisava mudar. Diziam tanta coisa e tudo ao mesmo tempo, que ela optou pelo descrédito das palavras ditas sem a ciência da causa. 
Era um mundo solitário, onde ela conversava com os cadernos, às vezes brigava com os espelhos, mas era feliz sendo assim, "esquipática". 
O mundo era grande, mas ao mesmo tempo, pequeno demais para que ela coubesse nele, e era mais prático ficar no seu canto, com as suas manias, com os seus vícios, com o seu tudo e o seu nada. 
Se tinha algo que ela realmente gostava, era de estrelas, a única coisa que realmente a atingia, era a sensação de olhar para o céu... 

(Naná)
09/08/2013




Sobre viver (Sobreviver)

Todos os dias eu me pergunto: Por que devo me limitar à essa droga de Sistema, que me apaga, me ofusca, me deixa doente... só pra sobreviver??? É pra isso??? É pra isso que a gente existe? Pra ser comandado, controlado, manipulado, "engolir sapo" de gente que pensa que é maior e melhor que você??? Pra ser humilhado por não ser o que eles são, por não se permitir ser o que eles querem que você seja??? 
Desde bem nova eu aprendi a ser crítica, sempre me disseram, e sei lá porque diabos sou assim, aprendi sozinha. 
Confesso que a consciência às vezes é uma droga que me perturba, e as perguntas me atropelam, e eu confronto com muitas pessoas as minhas opiniões, para a maioria, absurdas. 
A verdade é que as pessoas têm medo. Medo de não serem adequadas, medo de falarem, medo de arriscarem por si. Medo. 
Muitos me chamam de louca, dizem que as minhas ideias são desconexas e sem fundamento. Já ouvi me dizerem que estudar demais é doença, que escrever é coisa de vagabundo, de quem não tem o que fazer... Mas por que fazer o que se gosta, faz com que as pessoas te tornem um 'ser' absurdo??? Por que fazer o que eu gosto e me deixa feliz, parece utopia, parece loucura, insanidade, e os outros sempre me olham com descrédito? Eu sou um 'nada', por acaso? Se for, que assim seja. Um "nada" com personalidade própria. 
Eu não quero SOBREviver, eu não vou sobreviver... eu quero VIVER, e sei que isso vai me custar muita paciência com a mofa alheia... mas se não for assim, acho que é melhor eu não existir, do que existir e não poder ser eu mesma. 



(Naná)
08/08/2013



Todas as poesias têm um nome. 
Ninguém as escreve para o nada, para ninguém. 
Todas as entrelinhas têm endereço, 
Todas as palavras têm um preço 
Mesmo que seja silencioso, 
Mesmo que eu fique aquém 
Da superfície 
Ou seja apenas um pronome 
Um verso perdido na planície, 
Ou um verbo impetuoso.

(Naná)
31/07/2013




Não gasto meu verbo com sujeito acerbo.


(Naná)
31/07/2013



"Paralisia dos Sentidos."

"Paralisia dos sentidos". 
Sempre interrogo-me sobre esse termo, e não considero a anodinia, fator acometedor de tal circunstância. Não no meu caso. 
É um tolhimento descabido, que usurpa a própria compreensão, altera a órbita da consciência, traz a inconsciência à tona. 
Inexequibilidade, indizibilidade, impossibilidade, imprescindibilidade, imobilidade, obscuridade, ambiguidade, irrealidade... trilhares de adjetivações, controvérsias isentas de explicações cabíveis à literalidade do sentir. Isso às vezes angustia, porque não é, de modo algum uma paralisia; diria que é um êxtase re(traído) pelos tre(jeitos), uma espécie de mistério banal que advém de estranhezas de estranhezas alheias. Sim, a redundância foi proposital. 
... Transmissão de Energia? Energia que paralisa, energia que mobiliza, energia que apenas energiza. De onde vem a energia? Energia não é estática, então como poderia paralisar? Um choque? Como decifrar o que não é palpável, mas escorre pelas mãos, não se pode ver a olho nu, apenas pulsa e "paralisa"? 
Parece que quero nomear a minha "paralisia", tentando, minunciosamente juntar os detalhes obductos, com a minha inabilidade tão notória e inviável. 
Isso é coisa de quem não tem o que pensar, que pensa demasiadamente. Onde já se viu querer nomear "paralisia", com tantos outros assuntos a serem inquiridos? Seria egocêntrico nomear os meus sentidos? Seria um abstraccionismo vão e isolado. 
É, talvez se eu devesse tratar de modo isolado a questão, abraçar os solilóquios silenciosos das minhas pretensões... É isso!!!! 
Um solilóquio disfarçado! Com uma roupagem estreita, com raros vãos de possibilidade a serem espreitados. Talvez a minha paralisia seja um solilóquio, entrevado sem querer. Um monólogo com os botões das vestes apertados que impedem a mobilidade, que coagem a volição de desvencilhar-se das amarras, do fastio manipulado. 
Talvez os sentidos respeitem a energia ou o tempo, hibernem dentro de mim. 
Talvez eu "troque os pés pelas mãos" quando tento raciocinar, talvez eu tenha um problema crônico de inalterabilidade da personalidade dupla que ora diz X, ora diz Y.  
Seria um conflito existencial intrínseco, ou uma psicose mutável? 

"Paralisia dos sentidos". 

Eu sinto, e paraliso, mas não paraliso. Mas não é constante. 
Eu sinto, logo quase paraliso (rs). 

Ainda estou carente de verbos... 

Eu penso, logo sinto, logo quase paraliso.... 

Eu vejo, logo penso, logo sinto, logo quase paraliso... 
O que vejo? 
Não é palpável, ou talvez seja? 

Desisto de "dissecar" as minhas neuroses, as minhas paranoias, as minhas insanidades cômicas e subestimadas. 
Vou paralisar essas ideias. 
Prefiro pensar em você! 


(Naná)  
31/07/2013





Sou imatura demais com essa mania de dar aos braços mãos, ao pés asas, para caminharem pelo porvir; deve ser essa insegurança desditosa... devo ter alguma fobia do presente que ainda não descobri... 
 ... ou talvez seja fobia de mim, em qualquer tempo...


(Naná)
31/07/2013




O meu "pensar em você", já virou redundância, virou clichê. 
Vou deixar o "sentir" reportar-se ao "silenciar".


(Naná)
30/07/2013



"Não é assim que se vive, mas é assim que se é..."



Mais uma carta, ousada. Ousada porque é um enfrentamento difícil, será lida apenas pelo remetente. O destinatário é a incerteza, por isso não pretendo enviá-la, para poupar tempo e evitar ser julgada pela pretensão. 
Mais linhas em branco maculadas por um sentimento torto e covarde, disforme e maltrapilho. Visto a carapuça da "não reciprocidade", não é tão difícil assim conviver com a franqueza do marasmo. Não vou morrer, afinal, não permiti ser atingida, saí pela tangente como me pediu o meu manual de instruções, nem tão instruído assim, nem tão sensato. 
Escrever do final é um desafio burlesco, cômico. Não acredito em finais sem começos, e nem em finais que começaram, porque tudo é contínuo. 
Sentimentos não possuem parâmetros, lógica ou bom-senso para chegarem com a sua bagagem, e nem batem na porta perguntando se são bem-vindos, e eles não morrem no tempo, apenas partem quando terminam a sua balbúrdia, eis a sua missão: bagunçar tudo e dizer "bye". 
Eu não sou corajosa, se fosse transformaria o absurdo do que eu sinto em uma surpresa pra você, uma surpresa descabida. 
Se eu fosse louca por fora o quanto sou por dentro, arrancaria a sua pele sem hesitar, e não ia pensar na sua reação. 
Se eu fosse o que o meu medo me obriga a não ser, eu entregaria os meus versos, sem pensar nos desafetos ou nos muros de concreto que poderiam vir adiante. 
Às vezes vejo o amor como um criminoso que encurrala-nos em becos-sem-saída, tira-nos da órbita, e faz das nossas mãos culpadas por se isentarem do que pulsa no peito. 
Às vezes eu durmo sem dormir, acordo sem acordar, e vivo sem viver. 
Porque às vezes eu olho para o espelho e vejo o que você me tornou, mesmo sem saber, mesmo sem querer. 
Escrever é uma benção que alivia, em contrapartida é uma droga que vicia, que esvazia. 
Estou cheia de vazio, farta de mim, aterrorizada por você. E você está aí, com a sua vida perfeita, com a sua sensatez, seu terno, sua gravata e sua vida agitada, suas responsabilidades, e eu ainda nem aprendi a ser eu. Eu sem você. 
Minha imaturidade em sentir é o meu pior inferno. O que me cabe é a invisibilidade, a pachorra com os solilóquios, e a aceitação estúpida de que não é assim que se vive, não é assim que se é, mas pouco importa mesmo assim, ninguém pode me ler. 


(Naná)
28/07/2013





Felizes dos versos...


Felizes dos donos das almas dos poetas. 
Felizes são aqueles que inspiram 
Aqueles que germinam as sementes 
Aqueles que suscitam sonhos 
Aqueles olhares sem nomes 
Que desfiguram as dores 
Que iluminam as cores 
Que deslizam nas nuvens 
Como deuses, seguros 
Como seres alados. 

Felizes dos donos das almas dos poetas, 
Que causam euforia 
Um arrebatamento entrevado 
Como o medo contornado 
Como a fé ensinada. 
Felizes daqueles que se tornam versos 
Que se tornam cores 
Que se tornam flores 
Que se tornam prece. 
Felizes daqueles que são silêncio 
Que são poesia. 

(In)felizes daqueles que são texto 
Mas que com tantos pretextos 
Fogem do contexto 
Ignoram as páginas 
Dobram a esquina 
Abaixam a cortina 
Culpam a rima 
Esboçam trejeitos 
Apontam 
E chamam de sujeito 
O amor imperfeito. 


(Naná)
27/07/2013




Comprei uma garrafa de vinho, mas prometo me embriagar apenas de estrelas.

(Naná)
27/07/2013



Eu escrevo pra ninguém, e Ninguém tem nada a ver com isso.

(Naná)
27/03/2013




Não importa a desimportância, ignoro a semântica dos sentidos, talvez seja a ignorância que me mantenha viva. 
Não me grite ao pé do ouvido, que eu sou frágil, esquisita. 
Eu sou mesmo uma espécie de gente, camuflada, descabida.


(Naná)
27/07/2013



Pulei da ponte da consciência, jaz lá a minha permanência, o peso da essência, a lama da incoerência, aniquilei as aparências.

(Naná)
27/07/2013



Eu rio das flechas, sorrio com as dores, me pinto de cores, me rego de amores, proponho cair, mas dou-lhes as brechas para sair.

(Naná)
27/07/2013



Entendo, o teu jeito não casa com os meus trejeitos. 
Esgares silenciosos me falam, o que os teus olhos calam.


(Naná)
27/07/2013



Era ódio, mas era amor. 
Angústia misturada com despudor.
Espelho bailando com sombras, 
Era uma alusão, no fim das contas.


(Naná)
27/07/2013





Quanto tempo levará esse tempo de contratempo? 
Enfrento o vento, me reinvento, inverto o temperamento, renego o sentimento, e nunca entendo.

(Naná)
27/07/2013



 Por vezes o teto do meu quarto atira facas no cerne. 
Gosta de brincar comigo, e me tirar do sério.


(Naná)
27/07/2013



Sou uma redundância desgraçada, mas que no final das contas, se diverte. 


(Naná)
27/07/2013


"Com Você"


Com você (sor)rio 
Com você mar 
Com você sol 
Com você sombra 
Com você chuva 
Com você farol 
Com você uva 
Com você bemol
Com você calor 
Com você frio 
Com você caos 
Com você vento 
Com você brisa 
Com você noite 
Com você camisa 
Com você dia 
Com você asas 
Com você pés 
Com você abraço 
Com você passo 
Com você laço 
Com você convés 
Com você tempo 
Com você rua 
Com você floresta 
Com você lua 
Com você festa 
Com você andança 
Com você calmaria 
Com você mudança 
Com você fé 
Com você chá 
Com você café 
Com você mão 
Com você estrela 
Com você quarto 
Com você mesa 
Com você janela 
Com você luz 
Com você paz 
Com você surpresa 
Com você cruz 
Com você céu 
Com você dia 
Com você mês 
Com você réu 
Com você vez 
Com você linha 
Com você verso 
Com você canção 
Com você inverso 
Com você oração 
Com você "nós" 
Com você eu 
Assim, sem rima, 
Sem nada. 


(Naná)
27/07/2013




"O que você É"


Meu pai vivia me dizendo que escrever é bobagem. Meu pai e um trilhão de pessoas que me acham sem talento pra nada. 
Confesso que eu realmente não tenho alguma característica que seja relevante, além de ser esquisita e sensível. Mas eu digo que o maior desafio nunca é enfrentar as pessoas, mas sim enfrentar a si mesmo, afinal é você o portador das suas próprias escolhas, é o avaliador do peso das regras que você mesmo se impõe. Foi assim que eu aprendi a não esperar nada de ninguém, nem reconhecimento, nem palmas, olhares, tampouco aceitação alheia. Aprendi a esperar o meu tempo de ser aceita por mim mesma, com meus defeitos natos, com as minhas manias chatas, com os meus escritos, tolos. Sou apenas uma passagem por esse tempo, sou apenas passagem, como todos aqueles que não deixam nenhuma marca, não precisam provar que existem, mas vivem. 
Não culpe os outros pelo que eles NUNCA saberão sobre você; isso inclui sobre o que você realmente gosta, o que você sente, e o que você, definitivamente É.

(Naná)
27/072013



"Você não sabe"


Você não sabe o meu preço, 
Me julga, me culpa, 
Eu subo no salto, 
Enlouqueço.


(Naná)
27/07/2013




Devoro


"Vontade de te devorar... mais do que já devoro em pensamentos..."

(Naná)
26/07/2013

Da janela, passarela...


Da janela (de olhar), 
De olhares, passarela, 
Olhos que vêm, 
Olhos que vão, 
Passante(s)em instantes, 
Ocultam-se na multidão, 
Com cautela, ou sofreguidão. 

Da janela, 
Paralela ao sonho, 
Em versos de olhares 
Me decomponho, 
Avisto as árvores, 
Avisto as aves, 
Os meus pesares, 
E lá estou debruçada, 
Ninguém sabe. 

Da janela, entreaberta 
Vejo nuvem, vejo lua, 
Vejo beijo, vejo a rua, 
Um mar de sorrisos sobejos, 
Vejo tu passar, 
E ao lado os meus desejos. 

Da janela, 
Que dá ao céu, 
Jogo meus pensamentos ao léu 
Dispo da serenidade o véu, 
Da janela, 
Olha(r)dela. 

Da janela (disfarçuda) 
Vejo nuvem, 
Vejo chuva, 
Vejo inundação, 
Vejo a presunção 
Desafiando a inquirição, 
Da janela, 
Fico muda. 

Da janela a vida passa, 
Tudo corre 
Tudo vôa 
Tudo brilha 
Tudo ofusca 
Tudo cala 
Tudo grita 
Tudo ecoa 
Tudo sobra 
Tudo falta. 

É tanta coisa esquisita 
Que a verdade erudita 
Desdobra 
A escrita, 
Mal(dita)! 

Da janela (passarela) 
De olhar 
Eu vejo o mundo 
(Da solidão) 
Um espaço profundo 
De sentimentos circundo 
De tudo e nada me inundo. 

Sempre em vão. 


(Naná) 
25/07/2013










"Pedaço de Céu"



Algumas pessoas são um "pedaço" de céu aqui na Terra, são tão leves que dá vontade de abraçar e nunca mais soltar.

(Naná)
25/07/2013


1 de setembro de 2013

Abaixo à Eloquência...


Não quero eloquência, 
Abaixo à decência 
Que a sã consciência 
Me leve à essência 
Da incandescência, 
Delete a indolência, 
Quebre a abstinência, 
Desaprenda a inocência, 
E peça clemência 
Pela permanência, 
Da transparência. 
Foda-se a prudência, 
Aliás foda-se a boa influência, 
Ou a obediência, 
Prefiro a urgência 
À desinência, 
Sou mais a decadência, 
A referência 
Das reticências....


(Naná)
25/07/2013



Não saber..



O que as palavras podem discorrer, sobre o que não sabe ser sentido? 
O que olhares podem dizer, sobre a voz que se cala? 
O que pensamentos podem ver, acerca do que não se ouve? 
O que eu posso ouvir da ausência que grita, 
E saber... 
Da voz que pulsa, 
Do pensamento que caminha, 
Do cheiro que fala, 
Das mãos que se calam? 
E dos pés que não sabem dançar 
E das pernas que não sabem jogar, 
E dos olhos que abocanham 
Dos lábios que se contorcem, 
E do âmago, que trepida? 
O que posso saber sobre o que não é palpável, 
Mas que é tragável, 
E é viável, 
Mas, inexorável? 
O que posso saber sobre tudo isso, 
Se não é meu, 
Não nasceu comigo, 
Não é um dom. 
Alguém veio e plantou, 

 ... simplesmente, 
... despropositadamente, 
... despretensiosamente...

Quem fez isso comigo não é gente, 
deve ser fera de rapina, 
mas fugiu pela esquina 
e fechou as cortinas.


(Naná)
25/07/2013



"Contrários"


Trocava de espelhos, de versos, de humor, de afetos, 
Trocava de roupa, de pele, virava o avesso, 
Mudava de mundo, 
Trocava os tropeços. 

Mudava o cabelo, a cor do esmalte, 
Mudava o tom, a cor do batom, 
Trocava o toque do celular, fazia alarde, 
Mudava a cor do lençol, mudava a coragem, 
Trocava o mar pelo sol, 
Trocava o sol pelo mar, 
Mudava pra Marte. 

Rasgava a rotina, 
Fugia da sina, 
Mudava a doutrina 
Invertia a rima.

Corria, gritava, 
Sorria, chorava, 
Odiava, amava. 

Trocava de espelhos, 
Invertia os meios, 
Pra esconder a timidez, 
Perdia o foco, perdia a vez. 

No fundo, odiava a mudança, 
Mas perdoava a desesperança, 
Caminhava na intemperança, 
Colecionava lembranças. 

O amor abraçava o segredo, 
Mas obedecia ao medo, 
Um medo absurdo, obsoleto. 

Se alimentava de poesia, 
De rosas compradas, 
De cartas sem destinatário, 
Abraçada aos livros, dormia, 
Vivia o contrário, 
O contrário do que sentia, 
O contrário do que queria. 


(Naná) 
24/07/2013






Ouvi dizer...


Ouvi dizer que para ser feliz é necessário suportar calado, prostrado, como se existisse um invólucro da incolumidade. Me disseram que quem se cala, poupa frustrações, poupa ridicularização alheia, poupa críticas. Sou do tipo que não omite, tampouco se isenta de opiniões acerca das coisas, e desprezo conselhos que não me cabem. Sou contra o moralismo barato que cria e multiplica ventríloquos e fanáticos, acéfalos, que não eximem-se à regra de fugir de si mesmos.
Chamam de egocentrismo a opinião própria, de endeusamento enxergar a própria profundidade, nomeiam descompostura ver as coisas por outro ângulo. Mas sabe o que mais me causa repulsa? Esse misoneísmo mascarado, fomentado pela ausência de escrúpulos, comandado por uma dita consciência e teoria, que ao meu modo de ver, não passam de indagações rasas e enfastiadas. 
Sou um equívoco da sociedade, um "monstro" o qual não permite que a alma seja vendida por conceitos errôneos, por verbos de escarros. Sou certa no meu jeito torto, pois é o que me convém. Se eu fosse como as pessoas querem que eu seja, eu não precisaria existir, não é mesmo? Logo, devo fazer jus à minha existência, da melhor forma que acredito.

(Naná)
22/07/2013



Quanto vale um mês?


Quanto vale um mês? Quanto tempo dura um mês? Variavelmente 30 ou 31 dias. Dias que vivemos ou morremos, despertamos ou acomodamos, brindamos ou choramos, perdemos ou ganhamos... 
Qual o peso das nossas significações, qual o pêndulo que nos move, ou o vento que nos leva, ou as mãos que nos puxam, ou os sentimentos que partem? 
Quanto tempo é um mês? Uma parcela do que somos ou do que deixamos de ser. 
Um mês é o peso ou a leveza de como vemos passar os dias, de como atravessamos as portas, derrubamos os muros, abrimos as janelas ou nos trancamos na evasão do quarto escuro, despropositadamente. 
Um mês é um suspiro, ou um grito entalado, um mês vale um sorriso, ou a alma lavada. 
Um mês não é uma contagem de dias quando se perde do calendário, quando você se perde das horas. Ateio fogo na pretensão de saber que dia é hoje, já que não me importa. 
Ateio fogo na convicção quase tardia, quase longínqua de que há meses atrás eu não era o que me tornei. Não sei bem que dia é hoje, só sei que também não sou a mesma de tempos atrás. 
E essa desimportância com o passar do tempo já me é habitual.


(Naná)
20/07/2013




Alma


A alma é um atrativo de profundidade, de necessidade de reciprocidade. E só quem sente dor é que consegue aumentar a proximidade de si próprio. 
A dor é a semente que nos torna livres da perfeição, é a nudez da falibilidade, honesta, é uma voz por vezes muda, que incita o crescimento, incompreendido. 

(Naná)
18/07/2013



Livros


Acho que a única coisa que realmente se encaixa comigo, são os livros; esse universos que eu permito que me roubem os olhares, só pra não ter que olhar pra fora e aceitar a minha esquipatice. 
A minha solidão já virou vício, de tanto ser costume.

(Naná)
07/07/2013



Diálogo 1


- Você não dorme? 
- Claro, às vezes. 
- Vou ter que roubar seus livros, então? 
- Por quê? 
- Oras, já descobri o motivo da sua "rebeldia". 
- Rebeldia? 
- Sim, falta de dormir... Noites mal-dormidas, mais ou menos isso... 
- Acho que você está tremendamente equivocado! 
- Me explique. 
- Só porque sou às avessas isso é ruim? 
- Não, exatamente. 
- Então o quê? 
- Na verdade é uma rebeldia boa, só que você viaja na maionese. 
- É tão ruim assim "viajar na maionese"? 
- Talvez, quando você viaja e fica longe de mim...


(Naná)
07/07/2013


Conselho?


"Cara, você precisa mudar", vivo ouvindo isso e me pergunto porque essa maldita mania das pessoas quererem uma mudança que não é delas, uma mudança da qual elas não refletem, simplesmente avistam uma necessidade de mudança em você, de modo superficial, e se acham "donos da verdade" para sair pregando à esmo por aí. 
Acho eu, que isso é tomar partido de uma "psicologia" totalmente equivocada. Se eu precisar de um analista, não preciso ser avisada, afinal eu sei medir os meus problemas e ver as minhas próprias necessidades, afinal sou EU que as sinto. E ainda acho que não cheguei ao estágio de vestir camisa de força... ¬¬ 
Olha, parece arrogância da minha parte, mas posso garantir que não é. 99,999999% das pessoas que te dão opiniões acerca do que você é, não te conhecem de verdade, tampouco possuem o mero interesse em ajudar realmente. Se baseiam em estatísticas errôneas, percepções falhas advindas de prenúncias. 
As pessoas nos analisam como sabem. Pode até não ser maldade, mas é um modo "torto" de tentar mudar o outro. As pessoas mudam por si mesmas, o outro pode até ajudar, mas a atitude é uma propriedade individual de cada ser. 
Fico pasma com o Misoneísmo correndo às soltas, andam chamando isso de "Bullying". Acho o cúmulo da existência desse tipo de opressão. Não somos bonecos que se moldam para serem vendidos ao preço que convém. 
E daí chegam e me dizem: "Você é careta". Eu respiro fundo e sorrio, agradecendo à Deus por me permitir ser diferente. E daí se eu sou careta? Não me poupo em ser como sou. Se eu choro, se eu rio, se eu grito, se eu corro, calo ou fico parada, ninguém tem nada a ver com isso. E nem por isso sou louca. Se eu sou feia, gosto do cabelo colorido, gosto de piercings, tatuagem, música clássica, filosofia, rock e livros, tudo ao mesmo tempo... qual o problema??? Sabe qual é o problema? Eu vou dizer: "Hipocrisia alheia", responde. Eu não incomodo ninguém, as pessoas que se incomodam com o meu jeito extrovertido, "doido" como ouço sempre. Não hesito em ser quem sou. Máscara é feio, não me cabe, e não nasci pra isso, mesmo que me rotulem "rebelde", ou isso ou aquilo. 
Enquanto as pessoas se exaltam, eu fico no meu canto com a minha pouca auto-estima, vivendo do modo que posso, como posso, e como quero também. Eu gosto do que me faz bem, mesmo que eu mergulhe e me afogue, mesmo que eu seja imatura aos olhos alheios, ou arrogante em demasia para alguns, deixo vir e ir quem quiser, não prendo ninguém, e também não nasci para ser presa. Sou atrapalhada no jeito de andar, no jeito de olhar, no jeito de ser. Tropeço, e às vezes atropelo os meus próprios sentidos, que se parecem mais com labirintos... Mas ainda assim, acolho a dor e a alegria, cá comigo, e sei me virar sozinha, sempre soube. Gosto de críticas, mas o que odeio é falta de respeito, e falta de respeito pra mim é não permitir que eu seja o que sou, pois disso eu não abro mão. Abro mão das minhas poucas vaidades, mas não abro mão do que sou, na essência. Não tolero a perfeição, porque perfeição é um espelho torto, o qual muitos se vêem certos. 
Eu assumo os meus avessos, os meus tombos, as minhas cicatrizes, e isso realmente, na maioria das vezes assusta as pessoas. Deve ser por isso que estou "só". Na verdade até a solidão pode ser vista por ópticas diversas. Tenho visto que as pessoas têm medo de profundidade, medo da nudez que não se vê a olho nu (redundância proposital), medo da verdade. Não me esquivo de ter as mãos limpas dos "não-eus". Acho que a minha doença, na verdade é ser muito "eu". 
Não é endeusamento, não é egocentrismo, é apenas assumir-se como tal e engolir a solidão à seco, quando nada, eu digo nada mesmo, têm o encanto de te completar. Para isso é preciso coragem, coragem de assumir as fraquezas, e coragem para tentar avistar brilhos onde não existem, e desatar nós que não desatam, e caminhar com a (in)certeza de que os próprios passos são os melhores guias e as melhores bagagens que se pode ter e levar consigo. 
E eu sou assim, talvez uma aberração da natureza, uma alma hermética que não tem quebra-cabeça que se encaixe, uma compostura categórica ou antiquada, ou alguém que por vezes tomou a decisão de banir um pouco do mundo de dentro de si e sair cantarolando, para não perecer pela incompreensão; fugiu com asas banais para não esmorecer pela sua dissemelhança do lógico, e não deixar-se acometer pela ablepsia paralisadora e assassina, que estreita os paradigmas.


(Naná) 
05/07/13


Música...


Uma música que remete à um pensamento 
Um pensamento que, por sua vez, tem nome, 
Um nome rabiscado, mas não esquecido, 
Ou um esquecimento medroso de se recordar. 

Singrando no avesso do que é sensato, 
Cerrando os olhos para o tangível, 
Fugindo do invisível, 
Compreendendo o despropositado. 

Sentimentos, ou vidros estilhaçados, 
Flores que escapam da alusão do apanhado das mãos. 
Poços que se elevam, 
Asas que derrubam. 
Sonhos que não se sonham, 
Pontes que não se atravessam 

Pensamentos, cúmplices de ausências, 
Palavras, órfãs de sentidos 
Fazem-me tapar os ouvidos, 
Insanidade à orla do querer. 


(Naná)
01/07/2013




Acho que estou "entupida" de gente... 
Mas isso não faz com que eu esteja realmente "cheia".


(Naná)
30/06/2013

Basta!


Chega de versos rasgados, 
De palavras (mal)ditas, 
De tempo perdido, 
De compreensão dissimulada, 
De olhares avessos, 
De batons tirados, 
De cigalho mascarado. 

Basta! Os passos calculados, 
As doses calculadas, 
Os sonhos atormentados 
Os "nós" das vozes que não falam. 

Chega de moralismo barato, 
De tédio engaiolado, 
De sorrisos mal-intencionados, 
De cartas idiotizadas. 

Basta! A puerilidade, 
A pressa exacerbada, 
A altura economizada.

Se eu cair, que seja de cara. 
Se eu mergulhar, 
Que o corpo não se poupe. 

O pouco não me compra. 
O frio não me agrada. 
Prefiro que seja amargo, 
Mas por favor, 
Não me venha morno!


(Naná) 
30/06/2013





Medo c(EGO)...


Eu olho para a parede branca do meu quarto, e vejo cores,
Olho para o teto, e repenso os dissabores,
Mas olho para dentro, e para as minhas mãos,
E a inquietude brinda algo com meu coração.

Encarei o espelho e as suas falibilidades.
Desconsertei-me do chão, outrora indubitável.
Reaprendi o medo,
Repreendi a dor,
Inevitáveis.

Dor e medo
Medo e dor,
Medi(dor)es de prenúncias,
Caudatários de renúncias.

Tenho medo de sorrisos que se mostram loucos,
Medo de olhares que se falam mudos.
Tenho medo de palavras suxas.
Tenho medo de sentidos rasos.

Medo da dor que falha.
Da sede feito navalha.
De por fim, render-me ao cigalho.

Medo
De tecer essas mal traçadas linhas
Construídas de esboços de palavras
Dizer que há aqui de ti, mais do que imaginas,
E descobrir que nas entrelinhas, há mais do que eu mesma saiba.

Amor ímpar
Joga ao léu cartas limpas,
Vai-se sem notar vítimas,
E para corações partidos,
Não existem vacinas.


(Naná) 
29/06/2013






Vítima


E eu me pergunto, por quê mais uma vez sou vítima de mim mesma. 
Vítima ao ponto de não querer encontrar motivos para estancar a culpa, 
Vítima por permitir que a minha culpa não seja um descostume. 
É uma culpa que me devora e me faz sorrir. 
Guardo-a em mim acomodada, por me permitir ser. 
Sou o que não me cabe, pois as coisas nunca se encaixam no meu contexto. 

(Naná) 
29/06/2013




Não sei...


Eu não sei amar com bons modos, 
Amar com postura,
Amar "politicamente correto".
Eu amo,
Ponto.
E amar é sempre um problema,
Só Meu.

(Naná)
27/06/2013



Eu não pedi...


E eu não pedi pra ninguém adentrar aqui dentro no meu mundo imperfeito de sentir. 
Sempre fui muito receptiva, mas sempre me restou o ego inflamado de promessas não-cumpridas, de ausências e espaços... 
E depois dessas perdas, aliás, nem sei se foram perdas realmente, porque só perdemos o que temos... enfim... Depois de tantas expectativas que transmutaram em uma dose alcoólica de choros repetidos e tristezas colecionadas, eu parei ! Parei de mudar pelas pessoas. Parei de sentir remorso pelos meus erros. Aprendi a gostar dos meus passos, embora trôpegos... Aprendi a sorrir com a minha solidão. 
Sim, eu aprendi sozinha com o frio e com a dor. Mas eu aprendi! E o que importa é que isso não aconteceu tarde demais. 
Antes da minha alma adormecer num sono profundo envolto à culpa e pela desolação se sempre ser metade. 
O que devemos reconhecer, acima de tantos desencontros, é o nosso esforço desmedido em se doar, mesmo que nunca tenham nos dado valor. E na verdade eu não sei se nasci pra ser par... mas eu sei muito bem ser ímpar. Minha alma se ajeita em qualquer canto, e se deslumbra com um livro, se encanta com a música, e desabrocha com as amizades verdadeiras. 
Não preciso que me digam o quanto eu erro. Não preciso acertar sempre. E eu não quero acertar sempre. É muito monótono. Talvez seja essa minha inconstância que me fortaleça e me priva de todas essas perfeições e modismos ou idealizações "de ser", dispensáveis... 

(Naná)  
15/03/2011 - (Antigo)




Da jan(ELA)...


Tentei manter-me à distância, de mãos atadas à uma segurança falha, como quem tranca a porta, mas avista da janela os sentidos. 
E de brechas em brechas percebi a relutância em dar ouvidos à uma impossível ablepsia. 
Tentar esquivar-se aprisionando-se por dentro é como tomar veneno e esperar surtir os seus efeitos. 
A memória dilacera mesmo quando está diante da intolerância. 
Como manter-se firme, nos pilares de uma intuição que não nega à pele uma ausência melindrosa, que ocupa os espaços proditórios à si mesmo? 
Deito na cama e o teto parece impelir facas sobre o meu âmago, alheio ao terror que me dissuade ao silêncio. 
Mais vocábulos malogrados e descompostos de reciprocidade. 
Mais significações tresloucadas, que batem à porta, pedindo para aqui estanciar... 
Da janela sinto os estilhaços trespassarem as luzes que contestam a solidão, camuflada por um semblante indiferente e afoito. 
Tenho medo de janelas, mais do que de "muros". 

(Naná) 
24/06/2013



Gosto de Acasos...


Gosto de acasos... desses que me chacoalham por dentro, que me fazem prender a respiração, contar até dez antes de me beliscar; desses acasos que eu não sei bem o que fazer, desses que eu me perco pra me encontrar na volta dos sentidos. 
A falta de reação, prova que ainda posso me surpreender. Os acasos é que contam história. 
Gosto do enfrentamento, do arrebatamento, e a ideia do fastio não me apraz, não me encaixa. Sou movida pelo excêntrico, pelo que não faz sentido, e não me importo em ser careta. 
Gosto de ter asas, mesmo quando me dizem que preciso estar o tempo todo com os pés no chão. 
Do que os sonhos se alimentam, afinal? O princípio dos sonhos é a quimera. Sonhos demasiadamente realistas são duvidáveis. 
Gosto de acasos... a mudez também se encaixa no contexto, e a tropeguidão também é um guia. Gosto quando as palavras me surgem, sem norte, é da desconexão que crio meus versos.


(Naná) 
23/06/2013




Invisibilidade...


Falta inspiração, falta pessoas que inspirem... falta volição, falta quase tudo, mas os espaços me sobram. Tropeçar nos próprios defeitos parece pecado. 
Olhar-se no espelho mas não ver a si próprio parece castigo. 
Acho que criei a minha própria invisibilidade, afinal sempre dizem que os sentimentos são nossos e nunca culpa dos outros.



(Naná)
15/06/2013




"Guardei..."


Dói, sempre se sentir às avessas, de ponta-cabeça... 

 ... Guardei numa caixa de sapatos todas as incompletudes que me afugentam, guardei também sorrisos que se foram e imagens indeléveis para o cerne. 
Vez ou outra abro a caixa para atestar que eu vivi e para constar que já soube sentir sem sofrer em demasia como hoje; depois dos anos que se passaram eu desaprendi os moldes e as medidas da suscetibilidade. 
O tempo é uma reta ilógica, às vezes acredito nisso. 
Uma reta por onde a gente caminha e se perde muitas vezes, se encontra em outras, se apega e solta, cria "nós" e desata-os. 
A efemeridade me contrista, mas ao mesmo tempo me abjura da sensação de redundância dos dias. 

Viver é uma faca de dois gumes: ou se vive, ou se finge viver. 


(Naná)
05/06/2013



"Elucubrações Inúteis de uma Notívaga"



É tresloucadamente paradoxal essa minha acepção dos sentidos: onde mais vejo e sinto empatia, é justamente onde tenho mais medo de ir. 
Sempre há um espelho onde as impossibilidades me acenam antes de eu subir um degrau. 
Às vezes penso que é na reciprocidade despretensiosa que "mora o perigo". 
Mar tranquilo onde se pode singrar sem medo. Acho que onde não existe medo, talvez seja realmente perigoso, pois onde não há medo não há limites... 
... Sentimentos sublimes navegando em barcos de papel, tão leves... e tão frágeis ao mesmo tempo... Queria aprender a descomplicar as coisas, ou ainda, desaprender a complicá-las. 
Minha bússola é sem parâmetros profíquos, talvez por defeito, talvez por (in)segurança. Talvez seja esse caos bailante que me move numa órbita paralela à minha inexatidão dos sentidos, labirinto boçal onde riem-se lágrimas e choram-se sorrisos, soluçam-se esperanças, e inspira-se a ausência de perspectivas do encontro com um "eu" mais arguto, afinado, sincronizado com a realidade que insiste em bater à minha porta e eu ainda não descobri a fórmula da sua visibilidade. 
Eu queria ser sem sentir, saber sem sentir, viver sem sentir. 
Não sou boa com os sentidos, "peco" com os conceitos, trejeitos, sujeitos, sou uma atarantada nata. 
Meu nome poderia ser "Interrogação". 

 (Naná) 
04/06/13


"Talvez(es)"



Tudo o que eu consegui depois de anos [embora isto não soe irônico], foi me tornar uma garota esquisita, que sobrevive por entre lacunas e caminha à passos trôpegos na transitoriedade de um mundo que se aparenta cinza aos meus olhos, ofuscados pela liberdade de crer na minha própria convicção de ser uma perpétua fonte de desinteresses, que deságua em mares revoltos, herméticos e inassimiláveis por outrem. Dias regados ao som da lugubridade e noites envoltas à um solilóquio já desfigurado pelo torpor que atropela as ideias e entorpece a consciência. 
Eu bem tento anuir-me ao silêncio, mas as palavras tentam me estrangular num ritual pungente de asfixia, e os meus dedos, trépidos e desgovernados escrevem nessas mal traçadas linhas, palavras que a alma extravasa com medo de se afogar de vez. 
Pontes, tropeços, tombos e mais nada, portas fechadas, mofa. 
Conheci a tolerância, a paciência, e encarei o chão nas vezes que caí, e tornei a me levantar e encarei o mundo, com a alma lavada e a nudez de alguém sincero que tenta deparar-se com a reciprocidade. Talvez isso seja uma aparente cegueira, ou talvez ainda eu seja mesmo uma careta que não se enquadra no quebra-cabeça... 
Talvez eu seja um pretensioso equívoco que deixou-se acometer por uma causticidade que adentrou nos póros, portadora de um caráter estulto... 
Ou ainda pode ser, na mais cômica das realidades, que eu apenas precise de alguém que eu não sei se existe, se tem carne e osso e se fala a minha língua, e talvez algum dia me note, ainda que com toda essa feiúra e esquipatice a qual eu sinto e vejo quando me olho no espelho. 

Talvez mesmo eu devesse "sumir do mapa"...


(Naná)
31/05/2013


"Duas Retas...


Duas retas. Aparentemente paralelas, indesviáveis. Repletas de empatia, sintonia, harmonia. Incorruptíveis à mudanças. 
A suscetibilidade de crer nesse contexto tão "palpável" é também acompanhada de uma dose de cegueira imperceptível, na verdade negável à primeira vista. 
Sim, todos nós passamos por essas "retas" emocionais, onde a segurança prevalece e os declives e as curvas tornam-se longínquos demais, a ponto de não nos pré-ocuparmos com eles. 
A vida é uma estrada com variações de percursos, com inclinações, subidas íngremes e descidas inesperadas, onde aprendemos a medir os passos, a atenção dos olhares, dos pensamentos e a confusão de não ter certeza de nada. 
Retas que se tornam atalhos, curvas que se tornam desvios, aclives que se tornam ascensão. Nada é incorruptível, nada é isento de mudanças de trajetos, ninguém esquiva-se dos esgares, dos descontentamentos e da incerteza da corda-bamba que é sentir. 
Duas retas que aparentemente são eternas, mas que na verdade são removíveis, transferíveis, mutáveis, passíveis de distrações, de omissões, da volição de esquecimento, alheias à transitoriedade. 
Duas retas de sonhos que transmutam-se em dois caminhos inversos, de incompatibilidade de afetos. Uma fé esquipática acerca do perene, que às vezes tira-nos o chão dos pés e as asas dos olhos. Nada é eterno. O problema não está na separação das "retas", mas no desapego errôneo de julgar, de tentar equilibrar a própria amargura delegando a culpa a respeito do que "não foi", no "outro". Vejo o desapego como uma fase da vida onde essa lição de que "nada é eterno" é aprendida, é vivenciada, e não como uma brecha banal para julgar outrem. 
Ninguém vem acompanhado com manual de instruções, mas em contrapartida existe o bom-senso. 
E nessas idas e vindas da vida, nas subidas e descidas é que aprendemos que conhecer à nós próprios é prioridade, não como forma de egoísmo ou de endeusamento dissimulado, não! Mas para que os nossos caminhos se tornem mais leves, e que a carga de apego não nos faça sucumbir à ponto do desmerecimento de outras chances e de outras perspectivas, quando "as retas se "transmutam". 
Não devemos "dar ouvidos" à falsa moralidade, pois os seres são singulares, assim como as escolhas e os caminhos. 


(Naná) 
30/05/13